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Triathlon e vida profissional: muito além de endurance

A associação entre esportes de endurance e o mundo corporativo não é uma novidade. Há alguns anos a Folha de São Paulo publicou o artigo “Correr é o novo MBA” destacando algumas dessas semelhanças. A rede Globo já havia feito uma matéria sobre o tema (vídeo disponível no final o texto)

São diversos os benefícios dessa associação, uma vez que ambos exigem: disciplina, resiliência, estabelecimento e controles de metas, planejamento e estratégia.

Não diminuindo a importância destas qualidades, escolhemos abordar nesse artigo dois pontos específicos que estão mais conectados com o momento que estamos vivendo: a capacidade de aprendizado (“learning mode”) e o foco no momento.

Thiago Vinhal, triatleta profissional do ano (2017) no Brasil pelo MundoTRI / Foto: Rômulo Cruz

A preparação para uma prova de Ironman é longa, exaustiva e dinâmica. São três modalidades diferentes que exigem além do desenvolvimento muscular e cardiovascular, o aprimoramento técnico permanente. Dificilmente um atleta domina as três modalidades com maestria.

Assim como no mundo corporativo, são inúmeras as variáveis. Estar no “learning mode” e valorizar os pequenos aprendizados é tão importante quanto encontrar as grandes apostas. O presente momento traz uma perspectiva jamais vista tornando a capacidade de analisar, refletir e tirar lições dos lugares e fatos menos óbvios, práticas de suma importância para os negócios.

Uma das maiores lições aprendidas em uma prova de Ironman é bem particulares para essa situação que fomos forçados: às vezes, é preciso desacelerar para alcançar a meta final.

Do mesmo modo que a preparação, a prova de Ironman é longa (3.860 metros de natação, 180,25 km de ciclismo e 42,2km de corrida). O recorde mundial é de pouco menos de 8 horas, a média é de 12 a 14 horas e alguns terminam em 17 horas. Portanto, o planejamento é chave.

E mesmo com todo o planejamento, uma coisa é certa: os imprevistos vão acontecer, seja um pneu furado, câimbras durante a prova, óculos de natação arrebentados no mar, entre outras inúmeras situações que nos pegam desprevenidos.

Estes imprevistos podem ser potencializados mediante o stress físico e a pressão de ver anos e anos de treinamento podendo ir por água abaixo, o que acaba por colocar em prova nossa estabilidade mental. Permanecer calmo e manter a cabeça no momento pode ser a diferença entre finalizar ou não a competição.

No mundo corporativo também enfrenta-se stress e muita pressão. Imprevistos e erros humanos acontecem, podendo impactar diretamente no resultado do trabalho. Semelhante à prova de triathlon, perder a cabeça diante de um desafio também pode ter um preço alto, se tornando uma barreira, na maiorida das vezes mental, para alcançar o melhor de si e encarar o problema momentâneo. Excelentes líderes são bons em gerenciar o stress, procurando manter a mente sã e incentivando as pessoas a fazerem o mesmo.

Nem sempre é fácil mas assim como as aptidões físicas, essa também é uma habilidade treinável e pode ser adquirida. A regra de 5” (regra de ouro do Vinhal) ajuda nesse sentido. Quando diante de um imprevisto, temos 5” para agir, a pergunta interna que deve ser feita é: o que posso fazer para ficar melhor agora? Com isso, não há espaço e nem tempo para o stress momentâneo levar ao fracasso, pois a perspectiva foi mudada em 5”.

Por fim, cabe uma provocação adicional relacionada com nossa capacidade de adquirir novas habilidades. Assim como no triathlon, na vida profissoinal o esforço é mais importante que o talento. Essa é outra regra de ouro, dessa vez do Bernardinho, que obteve sucesso tanto no esporte quanto no empreendedorismo.

Nos dois mundo, frequentemente, glorificamos demais a ideia de talento natural. Diminuimos o fato de que é o trabalho duro e a persistência que acabam por trazer sucesso. O talento natural é excelente, é inegável seu papel para trazer bons resultados, porém grande parte da evolução se deve ao esforço, treino, erro, aprendizado e melhoria.

Portanto, o sucesso, nos dois mundos, depende da disponibilidade, paciência e escolha de treinar, esses resultados serão ainda melhores quando alinhados com os talentos naturais.

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João Victor Guedes dos Santos é head de marketing de Johnnie Walker

Thiago Vinhal foi eleito triatleta profissional do ano (2017) no Brasil pelo MundoTRI e é o primeiro triatleta profissional negro a conquistar uma vaga no Campeonato Mundial de Ironman, em Kona, no Havaí

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Empreendedorismo

Como a Marvel conseguiu vencer a crise e construir uma franquia bilionária

O cenário norte-americano em 2008 estava meio caótico. Os Estados Unidos passavam pela quebradeira de várias instituições financeiras, que haviam feito empréstimos sem lastro para o mercado imobiliário. No meio disso tudo, a Marvel, que até então nunca fora responsável diretamente pela produção e direção de nenhum filme de super-herói, lançava sua primeira aposta — com alto risco de dar errado — Homem de Ferro.

Essa produção cinematográfica tinha uma tendência muito grande ao fiasco por alguns motivos:

-Devido à crise financeira, a população norte-americana estava completamente desmotivada.

-O ator principal, Robert Downey Jr., que estava sóbrio desde 2003, procurava reconstruir sua carreira em Hollywood e era considerado uma contratação de risco.

-O filme basicamente conta a história de um playboy mimado que adora esbanjar dinheiro.

Parecia uma receita perfeita para o fracasso! Mas foi o pontapé inicial de uma das franquias bilionárias do cinema. Atualmente, a Universo Cinematográfico Marvel (MCU) atingiu a marca de 17 bilhões de dólares arrecadados com 20 filmes. O último, Pantera Negra, bateu recorde e lucrou mais de US$ 2 bilhões em bilheterias pelo mundo todo.

As histórias de super-heróis contadas pela Marvel se tornaram sucesso inegável, arrebatando fãs, que contam os dias para o lançamento do próximo filme da franquia. Mas por que um projeto que tinha tudo para dar errado deu tão certo? Quando arriscar pode ser o melhor caminho para o crescimento de sua organização?

Muitas empresas deixam de crescer justamente por não se permitirem correr riscos. É claro, pode-se perder tempo e dinheiro com fracassos, mas todo bom empreendedor precisa saber a hora certa de arriscar nos negócios.

A história da Marvel começou com um tiro no escuro, entretanto, vários fatores permitiram que ela se tornasse o que é hoje. Ninguém saberá dizer com firmeza por que deu tão certo. Mas, se pararmos para analisar, percebemos que foi uma série de fatores.

Lançar Homem de Ferro quando o país passava por uma crise financeira poderia ser o primeiro dos motivos para a empresa desistir da ideia, porém o contexto socioeconômico dos Estados Unidos foi exatamente o que impulsionou sua população a buscar válvulas de escape, indo ao cinema com mais frequência.

Além disso, o desenvolvimento de efeitos visuais cada vez mais realistas foi um dos responsáveis para que a franquia se tornasse referência em Hollywood. Durante todos esses 10 anos é possível perceber em cada filme como os avanços tecnológicos impactaram a produção.

Para Joe Russo, diretor de Capitão América e Vingadores: Guerra Infinita, a receita que deu certo é que não há um padrão, cada filme é produzido com uma equipe e linguagem diferente. Isso faz com que os diretores sintam mais liberdade em criar.

“Provavelmente uma das coisas mais interessantes é que o universo cinematográfico da Marvel é um experimento narrativo. É um mosaico gigante de histórias contadas por pessoas diferentes. E acho que o público também ganhou a habilidade de entender como a linguagem muda rápido, como existem vozes diferentes, como o tom pode mudar dramaticamente de um filme para outro e isso é uma vantagem, pois você está sendo constantemente surpreendido”, garante Russo.

É claro que nem tudo são flores, logo após o lançamento de Homem de Ferro, sucesso inesperado, O incrível Hulk foi considerado fracasso de bilheteria. Mas isso não fez com que a Marvel desistisse, muito pelo contrário, foi o combustível necessário para continuar suas produções, aprender com os erros, promover melhorias e se tornar umas das franquias mais bem-sucedidas do cinema atual.

Agora basta esperar que a empresa persista em se renovar cada ano para que suas histórias continuem causando bastante frisson no público.

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Liderança & Pessoas

A resiliência da empresa familiar em tempos de crise

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Escrito por Mary Nicoliello, diretora responsável pela área de governança para empresas de controle familiar na PwC Brasil.

No I Ching, clássico livro da sabedoria milenar chinesa, a água é ao mesmo tempo símbolo de perigo e de resiliência. Em um desfiladeiro, ensina o oráculo chinês, “a água prossegue fluindo e vai preenchendo todas as depressões que encontra. Não vacila ante nenhuma passagem perigosa, não retrocede ante nenhuma queda, e nada a faz perder sua natureza essencial”.

Resiliência é exatamente essa capacidade de se adaptar sem resistência nem medo dos riscos. Em um cenário de pressões e mudanças permanentes, é ela que nos torna flexíveis para promover as transformações necessárias e alcançar um novo estado de equilíbrio.

Essa qualidade marca também a história da maioria das empresas familiares. Sua trajetória geralmente começa com um fundador que, com trabalho duro e determinação, construiu negócios promissores e duradouros. Em seu percurso de crescimento, ele foi obrigado a atravessar várias crises internas – características dos ciclos de expansão da empresa – e também externas, provocadas por questões políticas, econômicas ou sociais alheias ao controle da organização.

De modo geral, as empresas familiares são mais ágeis e flexíveis que as organizações não familiares, sentem-se mais aptas a explorar nichos de mercado e superar dificuldades. Em uma pesquisa realizada pela PwC em todo o mundo, inclusive no Brasil, alguns líderes de organizações familiares afirmaram que a crise econômica representa uma oportunidade – pois eles conseguem se movimentar rapidamente para adquirir novos negócios e absorver concorrentes. No mesmo estudo, 50% das empresas brasileiras disseram que têm a habilidade de se reinventar a cada nova geração, em comparação com 47% das ouvidas no mundo.

A resiliência é parte do próprio legado da família empresária e um dos ingredientes mais importantes de seu sucesso. A organização consegue administrar bem a tensão entre os interesses da empresa e os da família, entre as forças da tradição e as da inovação. Na crise, antecipa-se aos acontecimentos e age proativamente, em vez de só reagir às situações. Ao mesmo tempo, entende a importância de preservar seus valores, o senso de dono e os fundamentos do negócio. As novas gerações promovem as mudanças de rumo necessárias, inspiradas na própria história do fundador, recuperando seu legado e entendendo como ele enfrentou as crises anteriores para seguir adiante. No DNA e nos valores da organização, está o segredo para avançar em novas direções e reconquistar o equilíbrio.

Essa força para vencer as dificuldades está também em algumas outras características importantes da empresa familiar. Consideradas a encarnação do “capital paciente”, essas organizações investem em mudanças e na expansão dos negócios, mas seu foco é o longo prazo, envolvendo as próximas gerações. É uma vantagem em relação às empresas de capital aberto, que precisam prestar contas de seus resultados a cada trimestre e maximizar o retorno para os acionistas rapidamente – o que, de certa forma, engessa a resposta à crise.

Por trás das decisões da família empresária, estão o amor e a união no eixo familiar, os resultados e a operação da empresa e a preservação do patrimônio para as próximas gerações.

As empresas familiares tendem também a proteger melhor seus talentos. Elas respondem com criatividade às pressões por reduzir despesas e evitam a todo custo cortar pessoal. Essa gratidão pelos profissionais que acompanharam a história da organização – muitas vezes vistos como uma extensão da própria família – é retribuída com um senso maior de lealdade e comprometimento da equipe.

Nas organizações familiares, a cadeia de comando é mais simples e menos burocrática. O relacionamento entre gestores e empregados é mais direto e baseado na confiança. As gerações mais jovens podem se envolver nos negócios cedo e conhecer o dia a dia e os desafios da empresa na prática. Isso evita descontinuidades de políticas, processos e estilos de gestão, ajuda a preservar os valores fundamentais da organização e permite que a empresa reaja de forma mais rápida a mudanças no ambiente de negócios para enfrentar crises.

Há também forte senso de responsabilidade e foco em preservar a integridade do nome da família, que ao longo de sua história estabeleceu laços fortes com a comunidade. Para manter seu prestígio e sua reputação, essas organizações têm grande preocupação com qualidade e serviço e buscam tomar decisões de investimento saudáveis, que respeitem a natureza.

Consideradas motores importantes do crescimento econômico ao longo da história, as empresas familiares atualmente respondem por algo em torno de 80% do PIB global. Por causa dessa influência no destino de parcela tão grande da população, entendemos que sua capacidade de empreender, inovar, crescer e se renovar representa uma lição a ser aprendida e um tema de discussão relevante não só dentro do ambiente corporativo, mas para toda a sociedade.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]