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O trabalho e o profissional pós-pandemia: reflexões dos impactos da crise

Muito tem se falado/escrito sobre as competências necessárias para os líderes durante a crise atual, mas pouco se tem discutido sobre o futuro das competências do profissional pós-pandemia. Nossa proposta neste artigo é estimular essa reflexão.

Não abordaremos a difusão do home office e outras tecnologias que se mostraram alternativas eficientes para aproximar as pessoas fisicamente distantes, mas sim, os possíveis impactos dessas transformações na relação com o emprego.

A sociedade que, há não muito tempo, vivia momentos de polarização (sobretudo no contexto político), foi exposta ao mesmo vírus, enfrentando o mesmo “inimigo”. Assim, o fato de todos estarmos confrontando desafios que possuem a mesma causa raiz, nos faz, em escalas diferentes, exercitar nossa empatia.

Hoje, muito mais do que ontem, há certa compreensão de dilemas e dificuldades que transcendem nossa individualidade. Temos agora, de forma latente, a oportunidade de nos projetarmos no lugar do outro, ampliando assim, nossas perspectivas.

A pandemia também expos a vulnerabilidade de nossa sociedade e algumas de nossas fragilidades como indivíduos. Antes havia, no mundo corporativo, grande esforço para esconder tais vulnerabilidades, sendo vistas como fraquezas que poderiam “derrubar” ou “interromper” a progressão linear da carreira.

Essa fórmula: empatia + vulnerabilidade é poderosa. Colocando na base da relação de trabalho a transparência e a confiança, independentemente do nível hierárquico do profissional, tem-se como possível resultado a formação e destaque de profissionais mais humanos.

Na nossa visão, este potencial resultado representa uma quebra de paradigma versus o colaborador pré-pandemia. Sujeito que, em apertada suma, colocava o resultado acima de tudo e, algumas vezes, de todos. A mudança já vinha acontecendo paulatinamente, porém, a pandemia acelera essa transformação de forma abrupta e, quase que, compulsória.

As características pré-pandemia criavam ambientes altamente competitivos, ditos meritocráticos. Porém, a flexibilidade trazida pela pandemia exaltará aqueles que, de fato, produzem mais. Fatores objetivos tendem a ter maior importância do que a computação dos “desk hours” ou “show face” e outros elementos subjetivos que, algumas vezes, são inseridos no contexto da avaliação de performance.

Portanto, vemos todos os ingredientes para a construção de relações mais empáticas, transparentes, flexíveis e com muita confiança resultando, ironicamente, em um ambiente mais produtivo.

João Victor Guedes dos Santos é head de Johnnie Walker para Paraguai, Uruguai e Brasil

Paulo Bivar é managing partner na Kinp

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O reconhecimento segue sendo um clássico insubstituível

Trabalhar de casa, embora em alguns casos torne os funcionários mais produtivos, não permite interações casuais que vêm com o bate-papo do escritório. A Fast Company publicou um artigo trazendo o que se perde com a ausência desse contato entre funcionários e gestores, e nós trazemos os principais pontos para você.

Para melhor ou pior, essas interações casuais eram muitas vezes o cenário para um feedback positivo espontâneo, demonstrado por um rápido, “Ei, ótimo trabalho nessa apresentação!” no corredor. Como disse um diretor sênior a Sabina Nawaz da Harvard Business Review: “Estou parado porque não sei como me conectar com meu gerente nas coisas menos formais – como costumava fazer.”

É um paradoxo que, conforme estamos nos comunicando mais do que nunca pelo Slack e por e-mail, estamos nos sentindo cada vez menos conectados. Criar uma cultura de feedback positivo é crucial e deve ser uma parte regular da comunicação dos funcionários.

FAÇA DISSO UM HÁBITO
Há uma diferença entre o feedback que é dado como parte integrante da cultura da empresa e o feedback que é dado apenas quando um gerente precisa marcar uma lista de tarefas a cada trimestre. O primeiro cria um ambiente voltado para o crescimento, o que equivale a maior produtividade e funcionários que se sentem valorizados.

Transmitir sua gratidão aos funcionários sempre foi importante, agora mais que nunca, já que o trabalho remoto se tornou a norma. Ainda estamos no meio de uma pandemia global e as pessoas precisam de reconhecimento e afirmação de que estão bem. Reservar um tempo no final de cada dia para fornecer feedback específico e atencioso ajudará muito a melhorar o clima.

Coffee breaks virtuais com os membros da equipe para dar a eles a chance de dizerem como estão indo e também para reforçar o quanto ​​seus esforços são valorizados é algo mais que positivo. Expressar apreço por um trabalho sólido e bem executado é tão importante quanto comemorar uma grande vitória.

A psicóloga de Stanford, Carol Dweck, diz que elogiar o esforço – mesmo as tentativas fracassadas – cria um senso de resiliência. A pesquisa mostra que as equipes de melhor desempenho têm uma proporção de elogios e críticas de 5: 1. Portanto, o feedback positivo é entregue cinco vezes mais frequentemente do que a crítica. Isso cria uma espécie de almofada de bem-estar, de modo que, quando o feedback crítico for entregue, não será tão difícil.

GANHAR CONFIANÇA
Mesmo o feedback mais bem-intencionado soará vazio se não for um produto da cultura da empresa. Para construir essa cultura, as pessoas devem ter uma sensação de segurança e confiança. Como aponta a neurologista e educadora Judy Willis, isso não significa evitar o confronto ou oferecer apenas apoio: significa estar em sintonia com a prontidão das pessoas para um desafio e como elas se sentem em uma determinada interação.

Para fazer isso, você precisa conhecer essas pessoas. Não precisa ser muito pessoal, mas reserve um tempo para perguntar sobre o fim de semana ou compartilhar histórias sobre você. Uma pesquisa recente da Culture Amp descobriu que durante o COVID-19, as pessoas têm um forte desejo de “parar de falar sobre o trabalho por um momento”. Steven Huang, chefe de design e impacto equitativos da Culture Amp, compartilha que se os gerentes fizerem check-ins regulares com os funcionários sobre atividades não relacionadas ao trabalho, os funcionários terão 35% mais probabilidade de se adaptar às mudanças nas condições de trabalho. Sem esse apoio, apenas 26% dos colaboradores sentiram que poderiam se adaptar às mudanças nas condições de trabalho.

Relações fortes entre gerentes e funcionários são um fator de diferenciação chave na capacidade das equipes de se adaptarem”, diz Huang. “Os gerentes que antes haviam dedicado tempo para conhecer seus funcionários ‘fora do trabalho’ estão colhendo os benefícios porque já sabem como ajudar seus funcionários em tempos difíceis.”

No escritório, esse tipo de interação costumava ocorrer informalmente. É importante mantê-la, mesmo sem o providencial cafezinho.

ELOGIOS EM PÚBLICO
Obviamente, certas conversas devem ser individuais, mas ao fornecer feedback positivo, tente uma abordagem aberta e pública. A maioria das pessoas gosta de se sentir apreciada na frente de seus colegas e supervisores: uma pesquisa Gallup de 2016 descobriu que receber publicamente um prêmio, certificado ou elogio era uma das formas mais memoráveis ​​de reconhecimento para os entrevistados.

Bob Nelson, autor de 1001 Ways to Reward Employees, diz que reconhecer os funcionários de forma visível pode variar de elogios informais à criação de prêmios especiais – o que mais importa é que seja genuíno e proporcional ao tamanho da realização.

“Embora o dinheiro seja importante para os funcionários, o que tende a motivá-los a desempenhar e ter resultados em níveis mais elevados é o tipo de reconhecimento atencioso e pessoal que significam uma verdadeira apreciação pelo trabalho bem executado”, escreve. Isso pode ser feito de várias maneiras e ajuda a conhecer as preferências de seus funcionários.

As pessoas tendem a ter um melhor desempenho quando existe uma cultura de reconhecimento. Em uma época em que os funcionários podem se sentir mais à deriva do que nunca, lembre-os de que você vê suas contribuições e que elas são importantes.

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Como a sua organização pensa e operacionaliza o próprio tempo?

O período de pandemia ampliou uma modalidade de trabalho que ainda está sendo assimilada ou conhecida por muitas organizações no Brasil. O trabalho remoto ou Home Office. Contudo, este tipo de trabalho não implica apenas em uma mudança de espaços ou de rotinas, mas aponta para algo mais profundo que é a forma como as empresas entendem a relação tempo-resultado.

Neste artigo vamos buscar esclarecer esta relação e mostrar como o entendimento ou não deste fator acaba impactando no modelo de operação das instituições. O primeiro ponto a se considerar é que, em nossa sociedade marcada pela quarta revolução industrial, a relação entre produção e capital não se dá mais pela força de trabalho, como no caso da primeira revolução, mas sim, pela relação tempo-produção. O bem mais precioso e comercializado da contemporaneidade é o tempo como aponta Ashely Whillans em seu livro Smart Time.

Contudo, a forma como as instituições interpretam esta relação, seja do ponto de vista da concepção seja do ponto de vista da operação, é o que vai definir tanto o modelo organizacional quando a forma de relacionamento com os clientes.

Tempo ocupação X tempo fluído

Para aprofundarmos melhor o entendimento desta relação vamos tomar como modelo duas formas de interpretar ou lidar com o tempo dentro do ambiente corporativo. A primeira, e mais clássica, é a de tempo-ocupação, na qual, se parte do pressuposto de que quanto mais ocupada a pessoa estiver no seu período laboral melhor a relação tempo-capital está ocorrendo. Isto é, dentro desta lógica todos os minutos “contratados” devem ser ocupados independente das tarefas.

Esta é a lógica subjacente ao famoso jargão: “Time is Money” e também presente em muitas práticas organizacionais tais como: Registro de ponto dos colaboradores; o número de atendentes nos guichês de atendimento, metas de ligações de consultores comerciais ou agentes de relacionamento.

Essa lógica vem sendo implantada há algum tempo e tem a sua origem na primeira revolução industrial, na qual, a substituição da forma humana pelas máquinas a vapor e, posteriormente, pelas máquinas à combustão faziam com que a ocupação do tempo da força de trabalho, no caso o trabalhador, fosse o critério para o escalonamento e lucratividade da empresa. Esta é também a lógica de fundo de práticas como o RPA (robotic process automation).

Algumas consequências destas lógicas podem ser vistas, por exemplo, nas filas dos caixas dos supermercados ou ainda em doenças ocupacionais como o Burnout. Vamos pensar um pouco melhor sobre isso e aplicar a lógica para clarificar os exemplos.

Grande parte de nós já deve ter feito a experiência de ir a um supermercado, feito as suas compras e, ao chegar ao caixa para efetuar o pagamento, notar que existem vários caixas, mas apenas alguns atendentes e que, nestes, há sempre a presença de filas.

Neste caso, qual é a lógica de fundo? Deixar o frentista de caixa o maior tempo disponível ocupado para que a sua relação tempo-ocupação seja o mais lucrativa possível. Contudo, com isso, os clientes que poderiam ter uma melhor experiência dentro dos supermercados acabam sendo comprometidos, pois como sabemos, entrar em uma fila não é algo muito agradável. Desta forma, a lógica tempo-ocupação acaba se sobressaindo e ainda comprometendo outra lógica que é a da satisfação-fidelização do cliente.

Vejamos um outro exemplo, a do Burnout. O modelo “tempo-ocupação” está bem consolidado no estilo de vida ocidental, basta ver, por exemplo, qual é o estereótipo de uma pessoa dita “trabalhadora”, a saber: Alguém sempre ocupado, que corre de lá para cá e que constantemente emite a seguinte frase: “estou sem tempo, estou corrido”. Tal “avatar” acaba sendo amplificado quando atrelado a ideia de sucesso. Basta notar que a ideia que se associa a alguém que ocupa uma alta posição ou um papel de responsabilidade é que esta pessoa está sempre ocupada, com uma agenda apertada, quando, na verdade, isso pode ser sinal de sobrecarga disfuncional ou mal uso do próprio tempo.

A síndrome de Burnout, bem como o cansaço contínuo, podem ser indícios da incorporação desta lógica de que é preciso manter-se ocupado para de fato parecer importante ou para criar a sensação de um uso eficaz e eficiente do tempo.

Uma segunda forma de observar o tempo é a partir da relação tempo-fluidez. Este é o modelo do fluxo contínuo e que está expresso em algumas metodologias tais como a Lean Methodology. Porém, qual a lógica de fundo deste modelo?

A lógica que ancora este modelo é a relação entre tempo e constituição do fluxo, ou traduzindo em outras palavras, da relação entre tempo e produtividade. Aqui é importante fazer uma distinção entre este formato e o anterior. No primeiro, o da relação tempo-ocupação, o que importa é manter o colaborador ocupado, sendo que a qualidade da ocupação ficava em segundo plano. No segundo caso, tempo-fluidez, a relação entre tempo e produtividade significa pensar o quanto de tempo de qualidade é necessário para a realização de uma ação que não produza nem desperdício nem excesso.

Otimizar o tempo aqui não significa produzir mais rápido, mas sim, produzir melhor e com menor desperdício fazendo com que a lucratividade não seja fruto da ocupação, mas da qualidade do processo produtivo. Este é o princípio de atividades como as de Home-office.

Muitas empresas, por conta do cenário pandêmico colocaram os seus colaboradores em regime de Home-office, porém, sem mudarem a mentalidade inerente a esta forma de trabalho. Talvez seja o momento de repensar as relações profundas que sustenta, muitas vezes, veladamente as nossas práticas. E a relação com o tempo é uma delas.

Gillianno Mazzetto é Co-founder Ei-Psi, filósofo e PhD em Psicologia

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Zoom: o antes, durante e depois da pandemia (que não durará para sempre)

Rápido, qual é o produto de tecnologia mais associado ao trabalho remoto durante a pandemia? Sem contestação: é o Zoom. O serviço de videoconferência se tornou sinônimo de produtividade home office. Pensando nisso, a Fast Company fez uma análise da empresa que mais ganhou destaque no último ano, avaliando o antes, durante e depois da pandemia.

Levantamos os principais pontos do artigo que demonstra como antecipar necessidades pode ser determinante no sucesso de uma organização.

Nos anos anteriores ao coronavírus transformar as salas de conferências em cidades fantasmas, o Zoom prestou muita atenção à experiência de reuniões no escritório. No início de sua história, a empresa criou o Zoom Rooms, focado em ajudar com as reuniões virtuais e gerenciar a disponibilidade de salas de conferência. A empresa também trabalhou com fabricantes de hardware para oferecer equipamentos como webcams projetadas para capturar uma sala inteira, em vez de uma única pessoa sentada na frente de um laptop.

Avançando para fevereiro de 2021, as pessoas ainda não estão voltando ao escritório; uma porcentagem significativa pode nunca voltar. Mas com as vacinas COVID-19, não é completamente irracional pensar em um futuro com salas de conferência novamente repletas de pessoas.

“A grande notícia é que, ao olharmos para 2021, estamos começando a nos preparar para voltar ao trabalho”, disse Harry Moseley, CIO do Zoom a Fast Company. “Mas o fato é que quando você olha para qualquer dado de pesquisa que está sendo feito por organizações internas ou externas, o consenso é que 20% das pessoas estão dispostas a estar em um escritório cinco dias por semana, 20% de as pessoas querem trabalhar em qualquer lugar cinco dias por semana, e 60% das pessoas preferem ir ao escritório dois a três dias por semana.”

Então, o Zoom está pensando em uma nova era de trabalho híbrido – um período em que as pessoas que passarão algum tempo no escritório estarão compreensivelmente sensíveis à sensação de insegurança quanto ao vírus.

Os usuários das salas de zoom poderão gerenciar uma reunião tocando em seus próprios dispositivos, em vez de em uma tela compartilhada (Zoom).

Pensando nisso, a empresa contará, em breve, com a possibilidade dos usuários emparelharem o sistema Zoom Room com seus próprios dispositivos móveis iOS ou Android. Isso permite que eles controlem a experiência em uma tela que apenas eles tocam. Com determinados hardwares de câmera de sala de conferência, a empresa também está adicionando um recurso de contagem que reportará o número de pessoas em uma reunião física com o objetivo de garantir que as diretrizes de distanciamento social sejam atendidas. Um aparelho de câmera de sala de conferência Zoom chamado Neat Bar monitorará e detalhará a qualidade do ar de uma sala, umidade, CO₂ e compostos orgânicos voláteis.

Alguns hardwares do Zoom agora são capazes de contar os participantes da reunião em uma sala e alertar outras pessoas antes que elas entrem.

Zoom Rooms também está adicionando um recurso de recepcionista virtual que permitirá que as empresas coloquem um tablet em um saguão, permitindo que os visitantes façam check-in por vídeo com um recepcionista humano trabalhando remotamente, em vez de estar atrás de um escudo de vidro. “Você não precisa ter cinco recepcionistas em cinco andares”, diz Moseley. “Você poderia ter uma única recepcionista cobrindo todos os cinco andares.”

De maneiras que vão além dos detalhes básicos de conduzir reuniões, o Zoom sairá da pandemia como uma empresa diferente. No início de 2020, quando novos usuários invadiram a plataforma, as medidas de privacidade e segurança da empresa foram repentinamente criticadas. Em seguida, fez dezenas de ajustes para proteger melhor os usuários e evitar os riscos da era COVID-19, como o Zoombombing. No final, recebeu o crédito pela velocidade e eficácia de sua resposta.

“Em abril passado, assumimos o compromisso de não apenas elevar o nível de privacidade e segurança da perspectiva do Zoom, mas também para a indústria”, diz Moseley. “E acho que estamos permanecendo fiéis a esse credo.” Ele aponta para a nova criptografia ponta a ponta para reuniões, que suportava um máximo de apenas 200 participantes quando foi lançada em outubro passado, mas agora atinge a capacidade máxima de 1.000 pessoas.

Outra coisa que mudou no Zoom: além de ser uma ferramenta útil para a realização de reuniões de negócios, também pode abranger encontros virtuais de todos os tipos, seus usuários provaram que a ferramenta é capaz de muito mais. Eles têm feito tudo através do Zoom, desde colaborações musicais a serviços religiosos, acampamentos de verão a visitas ao Papai Noel.

Quando essas atividades puderem ser vivenciadas pessoalmente com segurança, o Zoom voltará às suas raízes corporativas? Moseley não espera isso.

O que o Zoom da era pandêmica fez foi achatar o mundo e torná-lo muito menor”, diz ele. “Eu estava conversando com uma cliente em Madrid e ela me contou como estava animada por ter feito uma aula de ioga com um instrutor em Bangalore. Ok! Por que não? Então, sim, acho que muito disso vai persistir.

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5 propulsores do consumidor no mundo pós-COVID-19

Produzido pela WGSN, consultoria global de tendências de consumo, o relatório Mudança de Valores – Os propulsores do consumidor e as estratégias para driblar a recessão no mundo pós-pandemia aponta cinco movimentos que devem orientar consumidores após o cenário de pandemia.

Os pilares do material são baseados nos impactos de meses de incerteza, insegurança, mudanças e isolamento social – e as respostas de empresas e pessoas a esse contexto. Confira abaixo os principais pontos apontados pelo estudo e as estratégias recomendadas para atender a essas demandas.

1 – Ansiedade financeira
Mesmo com algumas regiões retomando parte do ritmo das atividades econômicas, a desaceleração no consumo e a preocupação com a iminência de uma crise permanecem ao redor do globo. Nesse cenário, formado pelo aumento na escolha de serviços e produtos, é necessário apresentar soluções de valor agregado e multifuncional.

2 – Preocupação com a saúde
Além dos riscos de contaminação e da gravidade dos sintomas da COVID-19, a expansão global da pandemia gerou impactos significativos sobre a saúde mental das pessoas. A preocupação se estende ao bem-estar de amigos, familiares e colegas de trabalho. Para responder a essa demanda, o relatório aponta oportunidades ligadas a tecnologias que atuem sobre a limpeza e esterilização de utensílios e ambientes.

3 – Síndrome de solidão
Os desdobramentos emocionais sobre a digitalização das relações humanas foram alavancados pelo longo período de isolamento social. Neste contexto, o relacionamento com os consumidores demandará estratégias que passem por experiências convergentes entre físico e digital (figital), conexão a redes de comerciantes e fornecedores locais e criação de touchpoints para comunidades.

4 – Busca pela verdade
A crise de desinformação durante a pandemia ressaltou a importância da criação e proteção de fontes de dados e notícias confiáveis. A partir de agora, empresas com políticas transparentes de dados e comunicação devem ganhar cada vez mais espaço entre os consumidores.

5 – Medos e inseguranças
O medo sobre o presente e o futuro ficou enraizado em praticamente todas as camadas da população. Embora estejam retomando alguns hábitos cotidianos, muitas pessoas ainda estão receosas em realizar atividades simples. Investir em experiências ao ar livre, ambientes acolhedores e soluções de assepsia podem ser alguns caminhos para amenizar esse sentimento de insegurança.

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Esther Perel: Como manter a conexão social durante o distanciamento social

Uma das palestrantes confirmadas da HSM Expo 2020, Esther Perel é considerada uma das principais vozes mundiais sobre relacionamentos individuais e coletivos. Em meio ao crescente isolamento social gerado pelo Coronavírus, a psicóloga belga publicou um dos mais importantes artigos sobre como redefinir nossos laços sociais durante a epidemia. Veja abaixo o texto traduzido na íntegra.

É muito difícil separar nossos corpos de nossos corações. Na semana passada, setecentas pessoas em New Rochelle – o epicentro em quarentena do surto de Covid-19 em Nova York – realizaram uma reunião online na cidade. Enquanto cada um deles estava confinado em suas casas, sozinhos ou com a família, a comunidade se reuniu nesse espaço virtual.

Decisões foram tomadas. Os alunos com computadores e iPads em casa puderam continuar suas aulas via videoconferência. Seria necessário adquirir esses eletrônicos para as crianças que não tinham seus próprios. Um fornecedor local, que já havia preparado comida para um Bar Mitzvah, se ofereceu para dividir a refeição em 152 caixas e entregá-las aos necessitados. Pais perguntavam se poderiam tocar em seus filhos. Um marido e uma mulher à beira da separação teriam que encontrar uma maneira de trabalhar juntos em casa. “Até uma casa grande fica pequena quando você está trancada nela”, a esposa me disse.

Na era de Covid-19, um novo “normal” chegou. À medida que nos isolamos como indivíduos e famílias, precisamos ativar a resiliência de nossas comunidades para reunir informações, planejar intervenções em escolas e hospitais e elaborar estratégias sobre como continuar trabalhando, aprendendo, socializando, amando e desejando, através de telas. Este é um território desconhecido para muitos de nós, e é a primeira vez em nossas vidas que a ordem de distanciamento social foi uma norma em nível global.

China e Europa, bem como cidades americanas como Seattle e New Rochelle, embarcaram nessa jornada algumas semanas antes do resto do mundo. No momento da produção deste artigo, estima-se que os EUA, Inglaterra, França, Espanha e Alemanha estejam aproximadamente 9 a 10 dias atrás da Itália na progressão do COVID-19.

Ouçam o que os italianos gostariam de saber há dez dias – O conselho deles segue diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que enfatiza a necessidade de se distanciar socialmente o mais cedo possível para retardar a propagação do vírus e achatar a curva. Mesmo que uma pessoa infectada tenha um caso leve, ela pode ter um impacto significativo se infectar acidentalmente outra pessoa que é mais vulnerável a esta doença. Portanto, devemos perguntar: quando a coisa mais socialmente responsável que podemos fazer é evitar outras pessoas, como podemos manter a conexão social?

Nós estamos juntos nessa – Devemos reconhecer que estamos entrando em um período de prolongado estresse agudo, de incertezas e que será uma realidade compartilhada – com nossas famílias, comunidades, colegas e toda a humanidade. Devemos estar fisicamente separados, mas estaremos emocional e psicologicamente nisso juntos! Embora as circunstâncias sejam diferentes, essa situação induziu rapidamente um pânico psicológico, não muito diferente do que historicamente ocorreu em resposta a ataques terroristas, desastres naturais e vida nas zonas de guerra, especialmente quando há falta de recursos, as informações são ambíguas e instruções não são claras. É fácil sentir-se impotente. Ativar os recursos de cura coletiva de nossas comunidades – compartilhando histórias e informações precisas, ajudando uns aos outros e elevando o espírito dos outros – é o antídoto mais poderoso para o medo, a solidão e o isolamento.

Nos anos oitenta, eu e meu marido Jack Saul – um psicólogo especializado em trauma psicossocial em larga escala e resiliência coletiva – ensinamos juntos no Centro Psicossocial para Refugiados, em Oslo, sobre a vida familiar em guerra e exílio. Compartilhamos como condições extremas afetam a comunicação e a proximidade entre casais, pais, filhos e vizinhos.

Usei de ponto de partida o meu trabalho com judeus que estavam “escondidos” durante a Segunda Guerra Mundial e o que aprendi sobre como a situação afetava a intimidade emocional, sexual e intelectual deles. Jack, por sua vez, ensinou que essas situações não provocavam apenas o trauma do indivíduo, mas de comunidades inteiras. Grande parte do trabalho dele envolve a realidade de que o trauma coletivo requer cura coletiva, um processo dependente da ativação de nossas comunidades, não apenas a nós mesmos. Isso eleva a todos e tira certas pressões de nossos parceiros e famílias para fazer tudo sozinhos, um feito esmagador e quase impossível.

Depois do 11 de setembro, Jack e eu realizamos workshops para residentes, professores, alunos e pais em nossa comunidade no centro de Manhattan. Em vez de rastrear indivíduos para TEPT, reconhecemos que o trauma coletivo estava ocorrendo. Ele enfatizou a necessidade de explorar os pontos fortes e os recursos da comunidade para lidar com medos comuns, como por exemplo, sobre como ajudar as crianças a se sentirem seguras. Estávamos todos discutindo juntos como viver com a incerteza de um estresse ambiental prolongado, deslocamento e perda – de pessoas, lares, escolas, renda e inocência. Foi um período de grande incerteza e coesão comunitária sem precedentes. Algo semelhante está acontecendo aqui e agora. Muitas das lições que aprendemos são aplicáveis, mas há uma reviravolta: em vez de precisar sair de nossas casas, devemos permanecer confinados a elas.

Conexão social em meio ao distanciamento social – Para tornar o distanciamento social suportável, e não uma grande fonte de tensão, precisamos insistir em manter nosso apoio social e emocional. As mídias sociais nunca foram tão importantes para fornecer conexão e contexto, pois muitas de nossas comunidades ficam totalmente online. Recentemente, participei de um culto de Shabat com 900 pessoas, no Facebook Live. Cantamos juntos e praticamos os rituais compartilhados que nossos ancestrais também mantinham em situações de crise, injustiça, pobreza e pavor. Fomos atraídos por nosso rabino, Amichai Lau Lavie, que nos convidou com a mensagem: “Saiba que estamos juntos nisso, que temos maneiras de nos comunicar e que nossos ancestrais nos deixaram histórias e ferramentas para nos ajudar a lidar com essas realidades mais dramáticas.”

Todos nós, em todas as partes do mundo, carregamos esses tipos de histórias de vulnerabilidade e triunfo. As histórias são nossas diretrizes sobre como se adaptar no presente. Como Jack Saul escreveu em seu livro “Trauma coletivo, cura coletiva”, a resiliência é tão eficaz quanto diversa. Ela deve se basear na perspectiva de todas as raças, credos e classes, bem como em várias tradições indígenas, tanto seculares quanto religiosas. Quanto mais histórias compartilharmos, melhor estaremos.

Ações práticas:
– Inicie um bate-papo em grupo com sua família para obter atualizações e incentivo. Discuta as melhores práticas para cuidar de familiares idosos e mais jovens. Compartilhe planos, faça ligações telefônicas e até videoconferências.

– Jack Saul aconselha a criação de um ecomap dos seus recursos. Quem você conhece? Onde eles estão? Quem pode ajudá-lo com o que? E quem você pode ajudar?

– Participe do grupo da sua comunidade local no Facebook ou NextDoor para obter informações sobre o ambiente e participar de conversas em grupo com os vizinhos. (Em um grupo do Facebook para mães de Long Island, um membro alertou o grupo sobre lojas locais terem ficado sem papel higiênico e incluiu um link com onde poderiam comprar da Amazon)

– Sugira uma ceia digital aos domingos com os amigos por meio de uma videoconferência. Inicie um clube de livros ou filmes. Compartilhe música. É importante continuar a se conectar culturalmente de maneiras que não são definidas compartilhando atualizações sobre o Coronavírus.

– Evento importante cancelado? Veja se ele pode ser realizado virtualmente por meio de bate-papo em grupo ou transmissão ao vivo, como festas de aniversário e óperas. É mais divertido do que parece.

– Se você tem filhos em idade escolar, crie estrutura e rotina para ajudar a apoiar o aprendizado. Entre em contato com outros pais para solucionar problemas, compartilhar idéias criativas e se solidarizar. Não seja duro consigo mesmo se precisar quebrar as estruturas que você criou; é uma experiência de aprendizado para todos nós.

– Se você puder, seja voluntário para ajudar professores, administradores e alunos na transição para o aprendizado virtual.

– Se você puder se voluntariar virtualmente para ajudar centros de idosos locais, instalações de atendimento domiciliar, hospitais e centros de atendimento de urgência, ligue ou envie um e-mail para descobrir como fazê-lo.

– Encontre fóruns virtuais abordando situações semelhantes. Por exemplo, Sub-Reddits para pessoas em quarentena.

– Interaja com a natureza.

– Cheque notícias para evitar a disseminação de informações erradas.

O estresse econômico e a solidão são dois dos determinantes sociais mais importantes para saúde. Se você estiver em condições de contribuir financeiramente, considere fazer uma doações.

Se você estiver em condições de doar sua energia e tempo, entre em contato com vizinhos idosos para ver se você pode deixar suprimentos ou alimentos do lado de fora da porta. Considere iniciar um levantamento de fundos virtual entre seus amigos e familiares para arrecadar dinheiro para ONGs. Mantenha-se atualizado com contas de mídia social que compartilharão maneiras de apoiar aqueles em situações difíceis.

No mundo ocidental, nossa tendência é ver a resiliência como um conjunto de características individualistas, e não as capacidades e recursos combinados e diversos de uma comunidade. Está na hora de mudar isso. Apesar da necessidade de permanecer fisicamente separados, temos a oportunidade de ativar o tipo específico de resiliência coletiva que pode surgir quando confrontados com incerteza prolongada com potencial de trauma generalizado. Um poderoso antídoto para a solidão e o medo é ter objetivos. Pratique um mantra para esses tempos estranhos: estamos todos juntos nisso.

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A crise do Coronavírus, por Yuval Harari

O historiador, filósofo e autor dos best-sellers “Sapiens” e “Homo Deus – Uma breve história do Amanhã”, Yuval Noah Harari, trouxe à tona sua percepção da pandemia que a humanidade está enfrentando.

Apresentamos os principais pontos do artigo publicado na revista Time, no último domingo (15).

“A melhor defesa que os seres humanos têm contra patógenos não é o isolamento – é a informação”

Muitas pessoas culpam a epidemia de coronavírus pela globalização e dizem que a única maneira de evitar mais surtos desse tipo é “desglobalizar” o mundo. Construa muros, restrinja viagens, reduza o comércio. No entanto, embora a quarentena de curto prazo seja essencial para interromper as epidemias, o isolacionismo de longo prazo levará ao colapso econômico sem oferecer nenhuma proteção real contra doenças infecciosas. Exatamente o oposto. O verdadeiro antídoto para a epidemia não é a segregação, mas a cooperação.

As epidemias mataram milhões de pessoas muito antes da era atual da globalização. No entanto, a incidência e o impacto das epidemias diminuíram drasticamente. Apesar de surtos horrendos, como AIDS e Ebola, no século XXI as epidemias matam uma proporção muito menor de humanos do que em qualquer outro período anterior à Idade da Pedra. Isso ocorre porque a melhor defesa que os seres humanos têm contra patógenos não é o isolamento – é a informação. A humanidade tem vencido a guerra contra epidemias porque, na corrida armamentista entre patógenos e médicos, os patógenos dependem de mutações cegas, enquanto os médicos dependem da análise científica da informação.

Ganhando a guerra contra patógenos

Durante o século passado, cientistas, médicos e enfermeiros em todo o mundo reuniram informações e, juntos, conseguiram entender o mecanismo por trás das epidemias e os meios para combatê-las. A teoria da evolução explicou por que e como surgem novas doenças e doenças antigas se tornam mais virulentas. A genética permitiu que os cientistas espiassem o próprio manual de instruções dos patógenos. Embora o povo medieval nunca tenha descoberto o que causou a Peste Negra, os cientistas levaram apenas duas semanas para identificar o novo coronavírus, sequenciar seu genoma e desenvolver um teste confiável para identificar pessoas infectadas.

Depois que os cientistas entenderam o que causa as epidemias, ficou muito mais fácil combatê-las. Vacinas, antibióticos, higiene aprimorada e uma infra-estrutura médica muito melhor permitiram que a humanidade ganhasse vantagem sobre seus predadores invisíveis. Em 1967, a varíola ainda infectou 15 milhões de pessoas e matou 2 milhões delas. Mas, na década seguinte, uma campanha global de vacinação contra a varíola foi tão bem-sucedida que, em 1979, a Organização Mundial da Saúde declarou que a humanidade havia vencido e que a varíola havia sido completamente erradicada. Em 2019, nenhuma pessoa foi infectada ou morta por varíola.

O que a história nos ensina para a atual epidemia de coronavírus?

Você não pode se proteger fechando permanentemente suas fronteiras. Lembre-se de que as epidemias se espalharam rapidamente, mesmo na Idade Média, muito antes da era da globalização. Portanto, mesmo que você reduza suas conexões globais ao nível da Inglaterra em 1348 – isso ainda não seria suficiente. Para realmente se proteger através do isolamento, ficar medieval não serve. Você teria que ficar na Idade da Pedra. Você pode fazer aquilo?

A história indica que a proteção real vem do compartilhamento de informações científicas confiáveis ​​e da solidariedade global. Quando um país é atingido por uma epidemia, deve estar disposto a compartilhar honestamente informações sobre o surto, sem medo de uma catástrofe econômica – enquanto outros países devem poder confiar nessas informações e devem estender a mão amiga, em vez de ostracizar a vítima. Hoje, a China pode ensinar aos países de todo o mundo muitas lições importantes sobre o coronavírus, mas isso exige um alto nível de confiança e cooperação internacional.

A cooperação internacional é necessária também para medidas efetivas de quarentena. Quarentena e bloqueio são essenciais para impedir a propagação de epidemias. Mas quando os países desconfiam um do outro e cada país sente que é o seu próprio país, os governos hesitam em tomar medidas tão drásticas. Se você descobrisse 100 casos de coronavírus no seu país, iria bloquear imediatamente cidades e regiões inteiras? Em grande medida, isso depende do que você espera de outros países. Bloquear suas próprias cidades pode levar ao colapso econômico. Se você acha que outros países irão ajudá-lo – será mais provável que você adote essa medida drástica. Mas se você pensa que outros países o abandonarão, provavelmente hesitaria até que seja tarde demais.

“Não se trata mais de nações, mas da espécie humana”

Talvez a coisa mais importante que as pessoas devam perceber sobre essas epidemias seja que a disseminação da epidemia em qualquer país ponha em perigo toda a espécie humana. Isso ocorre porque os vírus evoluem. Vírus como a corona se originam em animais, como os morcegos. Quando eles pulam para os seres humanos, inicialmente os vírus estão mal adaptados aos seus hospedeiros humanos. Enquanto se replicam em humanos, os vírus ocasionalmente sofrem mutações. A maioria das mutações é inofensiva. Mas, de vez em quando, uma mutação torna o vírus mais infeccioso ou mais resistente ao sistema imunológico humano – e essa cepa mutante do vírus se espalha rapidamente na população humana. Como uma única pessoa pode hospedar trilhões de partículas de vírus que sofrem replicação constante, toda pessoa infectada oferece ao vírus trilhões de novas oportunidades para se tornar mais adaptado aos seres humanos. Cada transportadora humana é como uma máquina de jogo que fornece ao vírus trilhões de bilhetes de loteria – e o vírus precisa comprar apenas um bilhete vencedor para prosperar.

Enquanto você lê essas linhas, talvez uma mutação semelhante esteja ocorrendo em um único gene no coronavírus que infectou uma pessoa em Teerã, Milão ou Wuhan. Se isso de fato está acontecendo, é uma ameaça direta não apenas aos iranianos, italianos ou chineses, mas também à sua vida. Pessoas de todo o mundo compartilham um interesse de vida ou morte em não dar ao coronavírus essa oportunidade. E isso significa que precisamos proteger todas as pessoas em todos os países.

Na luta contra vírus, a humanidade precisa proteger estreitamente as fronteiras. Mas não as fronteiras entre os países. Pelo contrário, precisa proteger a fronteira entre o mundo humano e a esfera do vírus. O planeta Terra está se unindo a inúmeros vírus, e novos vírus estão em constante evolução devido a mutações genéticas. A fronteira que separa essa esfera de vírus do mundo humano passa dentro do corpo de todo e qualquer ser humano. Se um vírus perigoso consegue penetrar nesta fronteira em qualquer lugar do mundo, coloca toda a espécie humana em perigo.

Ao longo do século passado, a humanidade fortaleceu essa fronteira como nunca antes. Os modernos sistemas de saúde foram construídos para servir de barreira nessa fronteira, e enfermeiros, médicos e cientistas são os guardas que a patrulham e repelem os invasores. No entanto, longas seções dessa fronteira foram deixadas lamentavelmente expostas. Existem centenas de milhões de pessoas em todo o mundo que carecem de serviços de saúde básicos. Isso coloca em perigo todos nós. Estamos acostumados a pensar em saúde em termos nacionais, mas fornecer melhores cuidados de saúde para iranianos e chineses ajuda a proteger israelenses e americanos também de epidemias. Essa verdade simples deve ser óbvia para todos, mas infelizmente ela escapa até mesmo às pessoas mais importantes do mundo.

Um mundo sem líder

Hoje a humanidade enfrenta uma crise aguda, não apenas devido ao coronavírus, mas também devido à falta de confiança entre os seres humanos. Para derrotar uma epidemia, as pessoas precisam confiar em especialistas científicos, os cidadãos precisam confiar nas autoridades públicas e os países precisam confiar uns nos outros. Nos últimos anos, políticos irresponsáveis ​​minaram deliberadamente a confiança na ciência, nas autoridades públicas e na cooperação internacional. Como resultado, agora estamos enfrentando esta crise desprovida de líderes globais que podem inspirar, organizar e financiar uma resposta global coordenada.

Xenofobia, isolacionismo e desconfiança agora caracterizam a maior parte do sistema internacional. Sem confiança e solidariedade global, não seremos capazes de parar a epidemia de coronavírus, e provavelmente veremos mais dessas epidemias no futuro. Mas toda crise também é uma oportunidade. Esperamos que a epidemia atual ajude a humanidade a perceber o grave perigo que representa a desunião global.

Neste momento de crise, a luta crucial ocorre dentro da própria humanidade. Se essa epidemia resultar em maior desunião e desconfiança entre os seres humanos, será a maior vitória do vírus. Quando os humanos brigam – os vírus dobram. Por outro lado, se a epidemia resultar em uma cooperação global mais estreita, será uma vitória não apenas contra o coronavírus, mas contra todos os patógenos futuros.