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Quando o sapo vai para a panela de água quente: um olhar sobre a percepção do clima organizacional


Há uma história que caminha pelas vias do conhecimento popular de que se você coloca um sapo dentro de uma panela com água em temperatura ambiente e aos poucos vai esquentando a água o anfíbio ali permanece até o ponto que morre por conta do calor. Esta mesma história afirma que, ao contrário, se eu jogo o sapo dentro da panela, já com água quente, ele salta e se livra de uma morte certa. Se a história é verdade ou não, isto cabe aos biólogos.

Contudo, a metáfora é pedagógica do ponto de vista da reflexão sobre as organizações e sobre o clima delas. Mas antes de aprofundar nas questões anfíbias é importante definir o que entendemos por clima organizacional.  De forma muito rápida se pode dizer que clima organizacional é o conjunto de percepções que os colaboradores têm sobre determinada instituição. Atenção, repito, o conjunto de percepções e não de fatos.

Ele estrutura-se sobre um mecanismo que todos nós possuímos e, em muitos casos, desconhecemos. O fato de julgarmos o mundo por aquilo que sentimos sobre o percebido e não à luz da realidade objetiva.

Como assim? Vou explicar. Cada vez mais a Psicologia tem desvendado o mundo do comportamento humano. Em suas últimas descobertas, principalmente nos estudos sobre emoções, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a nossa forma de perceber e agir na realidade obedece a um mecanismo que segue mais ou menos estes passos.

1º – Dado objetal, isto é, o fator externo que produziu alguma reação em nós. 2º reação emotiva, ou seja, como recebemos emotivamente determinada realidade; 3º Reação cognitiva: O que pensamos a partir do vivido e, por fim, 4º Comportamento.

Ao pensarmos clima organizacional devemos considerar estes quatro fatores. Mas voltemos à parábola do sapo na panela. Em geral, quando iniciamos um novo trabalho ou uma nova experiência laboral somos como o sapo que entra dentro de uma panela em temperatura ambiente. Pensamos que estamos em uma feliz e confortável lagoa. Entretanto, à medida que vamos vivendo dentro desta organização a nossa taxa de vinculação ou lealdade a este ambiente pode crescer ou diminuir. É justamente isso que mede, por exemplo, o eNPS.

Não obstante, sabemos que por melhor, mais renomada e consolidada que seja uma organização, sempre há problemas e ao passo que a temperatura do clima organizacional vai aumentando a nossa tendência é começar a culpar o ambiente e permitir que ele vá, aos poucos nos afetando até o ponto que, de um ambiente favorável, ele passa a ser percebido como um ambiente pesado, que se transforma em um ambiente tóxico a um ambiente castrador no qual a nossa capacidade de crescimento é sufocada e acabamos nos conformando. E, novamente aqui o dado mais importante é a percepção. Daí o foco nisso. Traduzindo isso na linguagem da nossa metáfora se poderia dizer que: O sapo acabou morrendo cozido pela água da panela.

Diante disso o que precisamos notar?

1º Como me percebo desafiado e em processo de crescimento dentro do ambiente que estou?

2º Quais são os fatores de estímulo à criatividade que o meu contexto de trabalho proporciona?

3º Como me sinto diante dos desafios que a organização me propõe. Estimulado ou “amassando barro”?

Tomar consciência de como interagimos com o nosso ambiente de trabalho e de como ele proporciona processo de crescimento e autodesenvolvimento pode ser um caminho importante para evitar que de sapo nadador você se transforme em um cozido.

Gillianno Mazzetto, PhD é co-founder da EiPSI