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É hora de agir por um futuro do trabalho inclusivo


Um ano de pandemia e o tema “futuro do trabalho” segue cada vez mais presente nas redes e rodas de conversas pelo mundo afora. Não mais em encontros presenciais, mas protagonizando importantes debates na mídia, em lives e videochamadas. Afinal de contas, mesmo que aos tropeços, todas as pessoas e organizações precisaram se adequar a essa nova realidade forçada que estamos vivendo.

Essa situação, que vai muito além das fronteiras brasileiras ou mesmo do continente americano, faz valer, cada vez mais, o conceito de Aldeia Global do filósofo Marshall McLuhan. Em meados dos anos 60, McLuhan já previu o poder das novas tecnologias em encurtar distâncias e transformar o mundo em uma aldeia, onde as pessoas de certa forma estariam interligadas.

No entanto, face ao cenário de desigualdades sociais e seus profundos impactos, tornou-se fundamental tirar da invisibilidade questões como: Qual o impacto ambiental e social dessas mudanças? Será que essa aldeia é inclusiva? E o tal futuro do trabalho, é projetado para ser inclusivo para os mais de um bilhão de pessoas com deficiência?

Quando celebrou os seus 100 anos de existência, em 2019, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) destacou os extremos em que o mundo do trabalho se encontra. De um lado vemos a transformação impulsionada por inovações, mudanças demográficas e globalização. Do outro, as persistentes desigualdades que causam impactos profundos sobre a natureza, o futuro do trabalho, principalmente em relação ao lugar e a dignidade das pessoas nele.

Na celebração, foi lançada a Declaração Centenária para o Futuro do Trabalho. Logo em suas primeiras linhas, o documento destaca o quanto é essencial a ação contínua de governos e representantes de empregadores e trabalhadores para atingir a justiça social.

A declaração ressalta a convicção de que com a ação de todos, em conjunto, é possível alcançar um futuro do trabalho que concretize a visão que deu origem à OIT há 100 anos: promover a justiça social, por meio do trabalho.

Para isso, é preciso aproveitar imediatamente as oportunidades e tratar os desafios para moldar um futuro justo, inclusivo e seguro, com trabalho pleno, produtivo e livremente escolhido. Tal futuro do trabalho é fundamental para o desenvolvimento sustentável e o fim da pobreza, não deixando ninguém para trás.

Como defensores do desenvolvimento sustentável, estamos fazendo a nossa parte para ajudar as diversas organizações a desenhar um futuro do trabalho inclusivo. Lançamos em março no Brasil o livro “Tornando Inclusivo o Futuro do Trabalho das Pessoas com Deficiência”, uma publicação conjunta da Fundação ONCE com a Rede Global de Empresas e Deficiência da OIT, agora também disponível em língua portuguesa.

Algumas das afirmações da Declaração (2019) estão refletidas neste novo livro (2021) e, ao disponibilizá-lo em português, pautamos novamente a importância do conhecimento e, claro, da atitude. Sem ela, fica difícil superar todas as demais barreiras. E para isso é fundamental disponibilizar informações de qualidade, em linguagem simples e acessível. Só assim poderemos ter ao nosso lado, cada vez mais, pessoas engajadas e interessadas na construção de um futuro efetivamente inclusivo para todos e todas.

Romeu Sassaki é consultor e pesquisador especialista em inclusão de pessoas com deficiência.

Aline Morais e Rafael Públio são diretores da consultoria Santa Causa Boas Ideias & Projetos.

O livro “Tornando Inclusivo o Futuro do Trabalho das Pessoas com Deficiência” está disponível para download gratuito em www.blogstacausa.com.br/ebooks


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