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Carta aos Profissionais de 2027


Caro profissional do futuro, em 2027

Inspirado pela leitura do estudo realizado na América Latina pela NTT DATA, recentemente publicado, sobre o que pensam os profissionais de hoje sobre seu futuro em cinco anos, escrevo essa carta para compartilhar algumas das minhas reflexões a respeito do tema. Espero que possam ajudar você a buscar caminhos possíveis para lidar com algumas das preocupações levantadas na pesquisa.

Antes de mais nada, o receio do futuro, do que é incerto, é inerente ao ser humano. Podemos, a partir da consciência, observar a realidade e buscar aplacar tais angústias originadas, eventualmente, dessa sensação do desconhecido.

Mesmo em alguns mercados como o de TI, no qual há crescimento de dois dígitos há anos e existe falta de profissionais qualificados [ tema que já abordei aqui algumas vezes ], as pessoas mostram-se receosas com os próximos anos profissionais. Parece uma contradição? Vou buscar explicar por quê.

De acordo com o estudo, 41% dos entrevistados têm preocupação com a possibilidade de máquinas substituírem o humano, 47% sentem medo de não conseguir seguir atualizado para o mercado e outros 47% sentem medo de não ter mais lugar no mercado de trabalho daqui a cinco anos. Ou seja, quase a metade dos entrevistados sentem medo deste futuro próximo.

Tais dados me colocaram para pensar, tendo em vista que os entrevistados foram profissionais de grandes e sólidas empresas de mercados prósperos e que, portanto, deveriam ser ambientes seguros para quem o faz prosperar.

Dediquei tempo a ler e compreender o estudo, que entrevistou 34 executivos de recursos humanos de várias empresas e ainda realizou uma pesquisa quantitativa com 3.250 profissionais de diversos segmentos, incluindo o de TI.

Essa mensagem é para aqueles que, na paralela de um dia a dia de trabalho puxado, chegam em casa preocupados com seu futuro profissional e se pegam imaginando quais estratégias e ações deveriam adotar para aumentar as probabilidades de continuarem a se desenvolver profissionalmente.

Dado todo esse contexto, aqui vão algumas de minhas sugestões, baseadas nas experiências de carreira e reflexões que fiz.

1 – Apostem nas soft skills. Elas aguçam seu senso crítico e assim serão sempre um bom antídoto contra tecnologias de simples “eficiência operacional” que são geradas todos os dias. Nem o maior dos estudiosos pode dar conta de se manter atualizado no atual ritmo de produção (e obsolescência) de toda inovação tecnológica que somos capazes de gerar. Como sociedade, criaremos inovações que serão realmente eficientes se atenderem aos desejos e necessidades humanos, mesmo que esses estejam em constante transformação. Esses soft skills realmente serão chave para que se possa trabalhar com essas transformações.

2 – Investiguem suas paixões. O que faz você perder a noção do tempo? Talvez, em vez de se preocupar com o que o mercado vai desejar de você daqui a cinco anos, dedique-se a pensar o que você vai desejar do mercado nesse mesmo período. Por exemplo, a tecnologia é o ambiente perfeito para realizarmos nossas paixões em distintas áreas de atuação. Por que não explorar um pouco algumas delas para ver se encontra “um amor à primeira vista”?! Dizem que 65% das profissões do futuro ainda nem existem hoje, portanto, quem sabe você não encontra algo que, como um amor, pode mudar completamente a sua vida?!

3 – Prestem atenção às mudanças [ às vezes sutis ] de comportamento do mundo. Estejam atentos e mudem com o mundo. Gosto de pensar que somos também feitos de aplicativos que precisam estar com a última versão instalada para que o sistema operacional funcione bem. Uma observação empática do outro será fundamental para o mundo que precisaremos construir e no qual haverá trabalho a ser feito.

4 – Trabalhem voluntariamente. O trabalho voluntário nos abre para o novo, novas experiências, perspectivas, realidades. Nos ensina que é preciso aprender a se adaptar, resistir, transformar e isso tem tudo a ver com a vida em ciclos que a longevidade nos fará viver. Além disso, garanto a você que, na grande maioria das vezes, você recebe muito mais do que doa no voluntariado.

5 – Desapeguem-se do que já se sabe. Busque o novo, o que você desconhece, aprenda a aprender em novos paradigmas. A vida muda o tempo todo e as soluções precisam ser atualizadas. Aprenda com espírito crítico, diferencie o que é [ ou não ] verdade e quais são as fontes confiáveis a quem entregar as previsões de seu futuro profissional. Aprender a continuar aprendendo é fundamental hoje.

6 – Desenvolva-se. O mundo é muito maior que nosso próprio umbigo. Se você sabe que precisa se desenvolver em algo, dedique seu melhor tempo a isso. Pode ser sobre uma atividade técnica, mas pode também ser sobre um comportamento. Busque por meio de atividades terapêuticas se conhecer, refletir sobre quem é você no mundo. Busque ser sua melhor versão.

O futuro do trabalho é o futuro da humanidade. Então o humano por trás dos possíveis crachás é quem deve ser o protagonista dos questionamentos sobre o que está por vir. O conhecimento técnico sempre se revelará a quem sabe o que fazer com as ferramentas que conseguirmos criar.

Bom, espero que tenha ajudado você a buscar novas perspectivas e assim estar mais tranquilo quanto ao seu futuro!

Um grande abraço,

Ricardo Neves é CEO da NTT Data no Brasil, consultoria global de negócios e TI do Grupo NTT