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HSM Now: Disrupção, com David Roberts

Premiado CEO e empreendedor serial, com um portifólio que totaliza mais de US$ 100 milhões em investimentos da Cisco, Oracle e Accenture, David Roberts tem seus cases de liderança, gestão e tomada de decisões como objeto de estudo em escolas de gestão como Harvard, Stanford e Berkeley.

Formado em Ciência da Computação e Engenharia pelo MIT, especializado em Inteligência Artificial e Engenharia de Biocomputadores com MBA pela Harvard Business School, Roberts preside atualmente o conselho da HaloDrop (serviços de drones) e da 1QBit (softwares para computadores quânticos).

Na quinta e última parte da jornada digital da HSM Expo, Roberts nos trouxe um interessante recorte sobre sua visão do que é a disrupção. O exemplo escolhido foi a empreitada de Frederic Tudor, um empresário que se dedicou a exportar a água congelada dos lagos perto de Boston, no final do século XVIII, criando a Tudor Ice Company.

Tudor extraiu uma mercadoria já existente na natureza, distribuiu por cidades quentes e, assim, criou uma nova necessidade que demandava um novo produto: o gelo. Esse tipo de negócio prosperou até o fim do século XIX, quando essas companhias passaram a sofrer com a concorrência Em seguida, a disrupção no setor de gelo se deu após a invenção das geladeiras.

Por que tantos ficam cegos para a disrupção?”, provocou Roberts.

Deixo vocês com o que acredito ser o princípio mais importante para qualquer líder empresarial no século 21 compreender: a clássica Teoria de Disrupção de Clay Christensen que afeta todos os negócios e setores do mundo“, finalizou.

A disrupção segundo o pai da inovação corporativa – A inovação disruptiva descreve um processo pelo qual um produto ou serviço inicialmente ganha terreno de maneira simplória, na base de um mercado e, então, se move implacavelmente para o mercado superior, eventualmente substituindo os concorrentes estabelecidos.

Diferentemente do que se dissemina, as inovações disruptivas não são tecnologias revolucionárias que deixam bons produtos melhores; em vez disso, são inovações que tornam os bons produtos e serviços mais acessíveis e baratos, disponibilizando-os para uma população maior.

After Talk sobre Disrupção, com Eduardo Ibrahim – Executivo, empreendedor, especialista em Economia Exponencial e professor da Singularity University Brazil, Edu Ibrahim seguiu o papo sobre disrupção mostrando como a convergência de tecnologias exponenciais está transformando a economia, as carreiras e os negócios no mundo.

Ele destacou como as tecnologias exponenciais passam por um ciclo de crescimento que começa com a digitalização, passa pela disrupção e chega na democratização. “Nesse caminho existem muitas resistências culturais, políticas e organizacionais. Precisamos entender onde estão essas resistências para poder superá-las, caso contrário fica impossível seguir“.

Ainda segundo Ibrahim, os economistas mais notáveis da história tentaram modelar a inovação em modelos econômicos, modelos de negócios, e não conseguiram. Isso porque, por mais que você tenha processos e incentive, a inovação tem um efeito aleatório que as empresas e governos não estão preparados para recepcionar.

Você pode assistir à palestra de Jeffrey Pfeffer e outros nomes como Esther Perel, Fritjof Capra e Don Miguel Ruiz comprando ingressos para a HSM Expo ’21 nesse link.

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HSM Expo 21: Jeffrey Pfeffer

No dia 6 de dezembro, o pesquisador, escritor e professor de Pós-Graduação em Negócios da Universidade de Stanford, Jeffrey Pfeffer, estará no palco do HSM Expo ’21.

Considerado um dos grandes nomes da gestão contemporânea, Pfeffer foi eleito pela HR Magazine como um dos pensadores de RH mais influentes do mundo. E suas teorias não poderiam ser mais compatíveis com os desafios e os dilemas trazidos pela pandemia do COVID 19, sobretudo nos modelos de trabalho.

Em seu último livro, “Morrendo por um salário“, Pfeffer afirma que o sistema de trabalho atual adoece e mata as pessoas. Para aqueles que possam achar o tom exagerado, o autor de outros 15 livros sobre teoria organizacional e recursos humanos apresenta um volume impressionante de pesquisas relacionadas à saúde de empregados.

Na obra, Pfeffer propõe o ambiente saudável como solução e reforça que prevenir é realmente melhor do que remediar. Isso porque, segundo ele, impedir o funcionário de se estressar e se deprimir é mais efetivo do que dizer: “Ok, sabemos que você está deprimido, mas precisamos descobrir como você pode render e produzir mesmo assim”.

A última publicação traz ainda uma profunda análise de como a chamada gig economy pode representar um risco real aos profissionais que se enquadram em regimes de contratação temporários, atuando como freelancers ou autônomos.

De acordo com Pfeffer, a tecnologia trouxe um trade-off crítico de desvalorização dos profissionais ao trazer alternativas que visam facilitar a vida dos cidadãos, como apps focados em entrega de comida ou locomoção, mas precarizar a vida vida do trabalhador.

Isso se deve ao fato de que as empresas, que antes eram responsáveis pelo bem estar de colaboradores, clientes e todo o ecossistema em seu entorno, passaram a se eximir dessa função social. Essa flexibilização da relação de trabalho aumenta o turnover e, por consequência, a sensação de insegurança e ansiedade dos trabalhadores, que temem a demissão a todo instante.

Os tempos que atravessamos atualmente demandam uma atenção especial à essa questão. Pfeffer explica: todas as empresas precisam entender que também estão no ramo da saúde. Transtornos mentais como ansiedade, depressão e estresse tendem a ser impulsionados pelo cenário de quarentena, levando legiões de profissionais a eliminar fronteiras entre trabalho e vida pessoal sem aviso prévio para a transição.

Você pode assistir à palestra de Jeffrey Pfeffer e outros nomes como Esther Perel, Fritjof Capra e Don Miguel Ruiz comprando ingressos para a HSM Expo ’21 nesse link.

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HSM Expo Now: Pensamento sistêmico para cenários complexos, com Fritjot Capra

Na terceira parte da HSM Expo Now, que já trouxe Don Miguel Ruiz e Jamais Cascio, tivemos o prazer de receber o físico e ambientalista austríaco Fritoj Capra.

Temos atravessado desafios enormes e acredito que nenhum dos problemas atuais pode ser análisado sozinho, tudo é conectado e interdependente. O coronavírus, por exemplo, deve ser visto como uma resposta biológica da Terra“. Desta maneira Fritjof iniciou a conversa. De acordo com ele, durante a pandemia do COVID19, pudemos ver que a justiça social já não é uma questão política, mas de vida ou morte da espécie humana. Para evitar que outras pandemias se alastrem, é essencial melhorar a situação de vida dos mais vulneráveis, com ações coletivas.

A busca implacável pelo crescimento perpétuo leva a um consumo exacerbado que, por consequência, leva ao desperdício, escassez de recursos, aumento da desigualdade econômica e, por fim, à crise climática que vivemos hoje. Capra acredita que, enquanto apenas uma parte do sistema crescer, a outra inevitavelmente entrará em declínio.

De acordo com o autor de “O Tao da Física (1975)”, o crescimento equilibrado e multifacetado é conhecido na biologia como crescimento qualitativo. “Precisamos qualificar o crescimento econômico ao invés de avaliar a economia em termos de medida de PIB. Se faz necessário distinguir crescimento bom e crescimento ruim. A mudança de um modelo de crescimento quantitativo para qualitativo começa, primeiramente, com o desenvolvimento de indicadores qualitativos de pobreza, saúde, equidade, educação, inclusão social e de ambiente. Nenhum deles pode ser reduzido a coeficiente monetário“, explica.

Durante os últimos 30 anos, Capra desenvolveu uma síntese desse novo entendimento da vida. Uma estrutura conceitual que integra 4 dimensões da vida: biológica, cognitiva, social e ecológica. Os resumos dessas estruturas se apresentam em seis best-sellers, tendo a síntese final no livro “A Visão Sistêmica da Vida (2014)”, em que o especialista em sustentabilidade oferece soluções radicais para os problemas do século 21.

Na ciência, esse tipo de pensamento é conhecido como pensamento sistêmico. Escolhi esse nome para o livro que traz minha síntese justamente por envolver um novo tipo de pensamento em termos de relacionamentos, padrões e contexto. No centro dessa mudança de paradigmas, encontramos uma mudança fundamental de metáforas: deixar de ver o mundo como uma máquina e passar a entendê-lo como uma rede. E, como todos sabem, o que constitui uma rede é um determinado padrão de relacionamentos. Nós temos um padrão de relacionamentos e, para entender as redes, é necessário pensarmos em termos de padrões e relacionamentos”, esclarece.

A visão sistêmica da vida tem implicações importantes para toda a atividade humana, inclusive construir comunidades mais sustentáveis. Desde 1990, o conceito de sustentabilidade vem sendo corrompido e tornado trivial ao ser utilizado sem o contexto ecológico adequado. Para Capra, uma comunidade sustentável não tem a ver com crescimento ou concorrência. O sustentável tem a ver com a teia da vida. Em outras palavras, uma sociedade sustentável é projetada de tal forma que honra e coopera com a habilidade humana de sustentar sua própria vida.

O próximo passo nessa busca é entender como a natureza mantém a vida. Em bilhões de anos de evolução, os ecossistemas da Terra evoluíram com certos princípios para sustentar a teia da vida. A sobrevivência da espécie humana depende de aprendizado ecológico. A alfabetização ecológica precisa se tornar uma habilidade crítica para políticos, lideres de negócios e profissionais em todas as esferas. E deve também ser a parte mais importante na educação escolar”, alerta.

De acordo com o fundador do Center for Ecoliteracy em Berkeley, Califórnia, que incentiva a educação para a sustentabilidade, os princípios da ecologia estão muito próximos e são muito correlacionados ao padrão simples de organização que permitiu que a natureza sustentasse a vida por todos esses anos. “Nenhum organismo individual consegue existir de forma isolada. Animais dependem da fotossíntese da planta. A planta depende do dióxido de carbono produzido pelos animais… Juntos, plantas, animais e microrganismos regulam toda a biosfera e mantêm as condições necessárias para que a vida exista. A sustentabilidade não é uma propriedade individual, mas de uma teia completa de relacionamentos, que sempre envolve toda a comunidade. A maneira de se sustentar a vida é construir e alimentar comunidades”, aponta.

Fritjof Capra traz uma solução sistêmica por excelência: se formos da agricultura industrial de larga escala, baseada em muitos produtos químicos, para uma agricultura regenerativa, de larga escala, reduziríamos a dependência energética, melhoraríamos a saúde publica e, por fim, aliviaríamos a questão climática.

Ao longo das últimas décadas, o aprendizado da sociedade civil levou a centenas de soluções sistêmicas. Incluindo propostas para remodelar a globalização econômica e reestruturar as organizações com propriedades regenerativas, não extrativistas. Meu último livro mesmo traz inúmeras possibilidades. Isso prova que não é uma questão de ser possível, mas de decisões políticas“.

Ainda segundo Capra, quando olhamos para a natureza, podemos observar a diversidade, a beleza das flores, animais, fungos, todos os organismos se diferem e cooperam, encontram formas de fazer parcerias. E, para ele, isso deveria ser feito também nas empresas. “Há dois valores-chave que precisamos compartilhar: dignidade humana e sustentabilidade ecológica.

Humanos de Negócios, não “homens de negócios”, com Rodrigo da Cunha.

Humanos de Negócios é um projeto fundado por Rodrigo da Cunha que conta histórias de homens e mulheres que estão (re)humanizando o capitalismo por meio de um livro, palestras e eventos em organizações. Ele é também fundador e CEO da ProfilePR, uma agência de relações públicas que conta histórias de marcas e pessoas que trabalham com sustentabilidade, impacto positivo e projetos regenerativos.

Primeiro embaixador do TED no Brasil, Cunha idealizou a rede +SocialGood, para a United Nations Foundation. Em um bate papo com a Diretora de Conteúdo da HSM, Poliana de Abreu, o executivo contou um pouco da sua visão sobre as possibilidades humanizadas do mundo corporativo.

Segundo o autor de “Como Fazer uma Empresa dar Certo em um País Incerto (2005)“, as organizações funcionam meramente como parte de um ecossistema enorme. Para ele, essa perspectiva nos ajuda a entender a complexidade dos problemas atuais.

“O conceito de wood wide web nos faz enxergar a floresta como um ecossistema extremamente complexo e interdependente. Uma árvore grande é apenas parte do sistema, mas é fundamental para regular a troca de nutrientes entre árvores menores, fungos e diversos outros organismos que dependem dela. Com organizações é a mesma coisa. Consultores, colaboradores, clientes e muitas outras pessoas são impactadas no ecossistema corporativo“, explica.

As condições técnicas, tecnológicas, analíticas para promover a transformação que o mundo precisa para se manter sustentável, mas será que temos a capacidade ética e moral? A vontade política, para Cunha, precisa surgir de um líder. “Essa liderança não precisa partir do dono da empresa, do CEO, pode vir de qualquer área que queira tomar essa frente. As maiores empresas estão focadas em criar espaços para que projetos nesse sentido surjam sem a necessidade de comitês executivos. Existem laboratórios de inovação que permitem que as organizações proponham solução globais e isso deve ser simples assim”.

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McKinsey: Os pilares para desenvolver equipes pós-pandêmicas mais habilidosas

Muitas empresas vêm enfrentando déficits de qualificação crescentes, mas algumas já passaram a abordar o desenvolvimento de habilidades de seus equipes de uma maneira mais integrada e estão discretamente ganhando vantagem sobre a concorrência. Pensando nisso, a consultoria de gestão McKinsey fez um relatório apresentando três estratégias para construir um time pós-pandêmico mais ágil e habilidoso.

Segundo pesquisa do McKinsey Global Institute, cerca de 107 milhões de trabalhadores podem precisar mudar de ocupação até 2030 – 12 milhões a mais que uma estimativa pré-pandêmica. Ainda de acordo com a empresa, a demanda por habilidades sociais e emocionais (aquelas que as máquinas não podem dominar) aumentará 25%, apenas nos Estados Unidos na próxima década. E a

As organizações precisam preparar seu pessoal para um futuro em que habilidades e formas de trabalho em evolução são algo adquirido e em que abraçar o aprendizado contínuo é a chave para a relevância no local de trabalho. E os líderes devem fazer isso enquanto embarcam no experimento organizacional do mundo pós-COVID-19, segundo os autores do relatório.

Embora relativamente poucas empresas tenham dominado totalmente os desafios, seus exemplos podem ser úteis para qualquer organização que aspira a começar a construir sua própria força de trabalho mais resiliente e pronta para o futuro. E foi a partir daí que a McKinsey levantou esses três pilares.

1- Encontre o seu verdadeiro ponto de partida
Os líderes de uma grande seguradora sabiam que enfrentavam um déficit de habilidades. Antes da pandemia, a empresa estava perdendo os melhores funcionários para empresas de alta tecnologia consideradas “mais sexy”. Agora, com a inteligência artificial e as habilidades de análise de dados se tornando ainda mais importantes para o setor, os líderes da empresa suspeitavam que sua força de trabalho atual estava ficando para trás. Mas onde, a que distância e com que rapidez?

Em resposta, a empresa fez um inventário abrangente de habilidades em toda a organização. O inventário foi validado por uma combinação de gerentes humanos e IA, o que permitiu uma comparação completa das entradas de currículo das pessoas, bem como sua experiência profissional e realizações.

É importante ressaltar que o exercício não foi tratado como uma catalogação de funções. Coletar cargos é uma perda de tempo quando o que está mudando são as habilidades subjacentes. Da mesma forma, a seguradora não abordou o esforço como um projeto único, mas como parte de um compromisso com uma nova abordagem – baseada no princípio de vincular o talento a uma agenda de valor claramente definido. O inventário deveria ser parte da base de fatos que dá suporte a um modelo de oferta e demanda em toda a empresa para funções atuais e futuras.

O primeiro teste do banco de dados veio quando a seguradora o usou para se concentrar em 15 famílias de empregos cujas habilidades seriam mais vitais para o sucesso de longo prazo da empresa. Paralelamente, a empresa o utilizou para identificar áreas de preocupação imediata. Entre outras coisas, perceberam que a empresa percebeu que enfrentaria grandes déficits de pessoal para analistas de dados, desenvolvedores de sistemas e especialistas em infraestrutura de TI – todas as funções nas quais as próprias habilidades subjacentes estavam mudando mais rapidamente.

2- Faça da construção de habilidades um estilo de vida
À medida que as aspirações de talentos da seguradora tomaram forma, a organização criou um “centro de habilidades” para gerenciá-las, operacionalizá-las e dimensioná-las.

O hub, uma unidade de negócios permanente liderada pelo chefe de talentos da empresa, tornou-se responsável por equilibrar a oferta e a demanda de habilidades – por exemplo, criando programas de aprendizagem básicos para todos, bem como programas personalizados para requalificar pessoas em funções específicas.

Como um exercício piloto, o hub começou com as unidades financeiras e de call center da empresa – dois grupos importantes nos quais a tecnologia já ameaçava tornar muitas habilidades (e funções) redundantes. Em áreas onde as funções precisavam ser alteradas, o centro oferecia módulos de aprendizagem para ajudar os funcionários a adquirir as habilidades necessárias; quando as funções estavam sendo eliminadas, o hub fornecia qualificação para ajudar as pessoas a se qualificarem para uma função diferente ou para encontrar funções adjacentes sempre que possível. Os executivos seniores temiam que teriam de recorrer a demissões generalizadas ou ofertas de indenização, mas o centro acabou redistribuindo ou requalificando quase todos nas unidades-piloto.

Da mesma forma, uma grande empresa de telecomunicações teve uma alta taxa de sucesso usando seu centro de habilidades para requalificar e realocar funcionários cujas funções estavam sendo afetadas pela tecnologia. A lógica da empresa ajudou. Ao deixar claro para todos que a requalificação foi um investimento em talento e em apoio direto aos planos de crescimento regional da empresa, os funcionários ficaram mais energizados (e garantiram que o programa não era simplesmente um movimento de corte de custos). No entanto, os esforços da empresa também fizeram sentido financeiro, visto que a contratação de novos trabalhadores pode ser duas vezes mais cara do que melhorar e requalificar os funcionários existentes.

Para serem mais eficazes, os centros de habilidades devem ter uma atribuição clara. Isso deve incluir a avaliação do candidato, a futura atribuição de funções, a implementação do programa em si e a medição do impacto.

3- Tenha uma visão do ecossistema
Durante os primeiros dias caóticos da crise do COVID-19, algumas empresas, por necessidade, adotaram uma mentalidade de ecossistema. Em apenas dois dias, por exemplo, Majid Al Futtaim, com sede em Dubai, requalificou mil funcionários de seu negócio de cinema para trabalhar em seu negócio de mercearia. Da mesma forma, a empresa de tecnologia de RH Eightfold.ai, juntamente com a Food Industry Association (FMI), dos Estados Unidos, criou uma troca de talentos para ajudar os trabalhadores dispensados ​​e demitidos a encontrar empregos abertos em outras empresas associadas. A troca acabou acumulando mais de um milhões de vagas de emprego, proporcionando aos trabalhadores acesso a 700 cursos gratuitos para ajudá-los a aprimorar suas habilidades.

Mais recentemente, a European Round Table for Industry lançou uma iniciativa pan-europeia de formação para ajudar os trabalhadores desempregados e em risco. O esforço visa a requalificação de um milhão de trabalhadores até 2025 e até cinco milhões até 2030. Projetos-piloto iniciais estão planejados em Portugal, Espanha e Suécia, e apoiadores corporativos incluem AstraZeneca, Iberdrola, Nestlé, SAP, Sonae e Volvo Group. Como esses exemplos sugerem, a integração da construção de habilidades com todo o ecossistema em mente pode ajudar as empresas, bem como as comunidades e outras partes interessadas.

A Networking Academy da Cisco oferece um bom exemplo dessa abordagem em que todos ganham. A empresa tem parceria com educadores e instrutores em todo o mundo para oferecer aos alunos treinamento de TI em uma variedade de áreas, como big data, nuvem, segurança cibernética e aprendizado de máquina. O esforço conecta os alunos a trabalhos dentro da Cisco e com seus parceiros externos, enquanto cria um conjunto muito maior de habilidades que a empresa prioriza.

As empresas têm mais probabilidade de obter uma vantagem no desenvolvimento de habilidades quando seus líderes estão dispostos a questionar as velhas suposições. As abordagens de legado tendem a ser muito lentas, muito incrementais ou muito difíceis de escalar devido aos desafios que se avizinham.

As organizações também devem estar dispostas a questionar seu mindset de legado, incluindo presunções do que os funcionários querem e do que são capazes. Os funcionários costumam ser mais estimulados pelo desenvolvimento de habilidades do que os executivos seniores acreditam. Isso era verdade em um banco europeu de médio porte, onde os líderes temiam que os caixas ficassem desmotivados com o programa de requalificação da empresa ou até mesmo se ressentissem com ele. Mas, em vez de recusar as mudanças, os caixas as abraçaram, e o banco acabou criando três planos de carreira distintos para os caixas como parte de seu programa piloto de sucesso – um que agora está sendo dimensionado para toda a organização.

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Expo Magalu 2021: melhores momentos

Realizado com a curadoria de conteúdo da HSM, o Expo Magalu reuniu mais de 15 mil empreendedores. O evento foi aberto por Fred Trajano, que adiantou os próximos passos de uma das mais arrojadas estratégias de crescimento do varejo digital do país.

“No varejo de bens de consumo (avaliado em R$535 bi), há bastante trabalho a ser feito por nós na digitalização dessas empresas que hoje possui só 1% de penetração no online. No varejo de lifestyle (avaliado em R$223 bi) são 10% – muito abaixo dos países desenvolvidos, que ficam em torno dos 40%. No food service, mesmo com tantas opções de delivery ao longo da pandemia, a penetração online também está muito abaixo do valor estimado do setor, que é de R$196 bilhões. E as vinte empresas adquiridas que integram nosso ecossistema fazem parte do nosso compromisso com a digitalização desses negócios no país”, afirma.

Luiza Helena Trajano entrou no palco após a apresentação de seu filho e presidente da MagaLu, Fred Trajano, discorrendo sobre sua visão de negócios ao público do evento e dando um panorama do que deve ser preservado e praticado no setor varejista.

Três pontos foram destacados por Luiza para que os empreendedores alcancem excelência no atendimento aos clientes:
1- Surpreenda (e essa ação pode vir de coisas simples, como uma entrega antecipada)
2- Dê mais atenção à reclamação do que à própria venda
3- Resolva os problemas

Empreendedorismo e vendas: um novo cenário para o e-commerce brasileiro

O economista Ricardo Amorim participou em tom bastante otimista. De acordo com ele, os países que passaram pelo processo de lockdown e distanciamento social de maneira mais forte, se depararam com algo que Amorim chama de “efeito eu mereço”. Que é a consequência da reclusão por meses se tornar um anseio de consumo latente.

Se comparado ao volume de serviços e produção industrial, o comércio varejista não sofreu tanto devido ao preparo fornecido pelo e-commerce para que as vendas seguissem sendo realizadas. “O que aconteceu é que a gente já tinha o e-commerce crescendo na participação das vendas totais há um bom tempo. Mas, com a pandemia, houve uma aceleração expressiva. O crescimento da participação do e-commerce no total das vendas do varejo, em seis meses, foi equivalente ao crescimento da última década inteira“, explica.

Outro ponto de atenção levantado por Amorim é que um dos setores que não sentiu a pandemia foi o agronegócio. Há vinte anos, desde 2001, quando a China entrou na Organização Mundial do Comércio, o superávit do agronegócio brasileiro não para de crescer. Isso se deve ao fato da busca por alimento ter aumentado e o Brasil ter características bastante favoráveis à produção como: muito espaço para plantar, clima melhor que os países que competem conosco, disponibilidade de água doce e grandes ganhos na produtividade.

“Cada vez mais o Brasil representa uma parte importante das exportações do agronegócio no mundo. Por que isso é valioso aos varejistas? Porque isso muda onde acontece o crescimento no Brasil. Faz vinte anos que as cidades no interior dos estados crescem mais que as capitais dos estados. Então aí está uma tremenda oportunidade para o e-commerce”, afirma.

Segundo o economista, quando as pessoas estão apinhadas nas grandes cidades é muito mais fácil acessar o comércio dos mais diferentes produtos e serviços. Quando mais espalhadas pelo país, esse acesso se torna mais difícil. “Isso faz com que esse público tenha mais aderência ao e-commerce do que aqueles que vivem nos grandes centros“, pontua.

No que toca à transformação digital, Amorim reforça que o ambiente on-line gera cada vez mais dados capazes de gerar inteligência de negócio e insights. “As pessoas esperam um novo normal, e isso não virá. O que podemos esperar é o que chamo de grande aceleração, as mudanças serão cada vez mais rápidas. Se você acha que as coisas mudaram muito nos últimos dois anos, espere para ver como serão os próximos dois anos. E para que você esteja pronto pra isso, é necessário que tenha capacidade de resposta rápida – entendendo seu cliente, identificar tendências, hábitos, mudanças de comportamento“, recomenda.

“Em quinze anos, a renda no mundo cresceu mais do que nos dois mil anos anteriores. Para quem é capaz de inovar, empreender, entender as mudanças, reagir rápido e tem cultura de inovação, nunca na história do planeta as oportunidades foram nem de perto tão grandes”

– Ricardo Amorim

Educação Financeira: equilibrando as contas de negócios digitais

A jornalista especialista em finanças, Nathalia Arcuri, traz sua visão para as práticas financeiras dos empreendedores, lembrando que não existe uma carreira empreendedora sem aprendizado contínuo. “Quanto mais você cresce, mais você precisa aprender. A capacidade de um empreendedor aprender coisas novas, ter mais repertório, é diretamente proporcional à capacidade de crescer“, afirma.

De acordo com Arcuri, os empreendedores digitais já estão à frente daqueles que não estão digitalizados, tendo acesso a milhares de pessoas sem precisar de um ponto físico. “Você não precisa ser 100% melhor que o seu concorrente, se você for 1% melhor que o seu concorrente, muito provavelmente já vai pegar 100% dos clientes dele. Essa é a realidade da concorrência. E se você não está pensando em ser melhor que o seu concorrente, pode ter certeza que ele está pensando isso a seu respeito. E, quando você menos esperar, ele vai passar na sua frente e pegar todos os seus clientes“, ressalta.

A economista elencou os cinco principais erros dos empreendedores:

1- Não ter metas (sem metas, é impossível traçar um plano financeiro)
2- Não separar Pessoa Física de Pessoa Jurídica (separe seu pró labore)
3- Focar mais no ganho de curto prazo, do que no ganho de longo prazo
4- Não pensar na experiência do cliente
5- Não se responsabilizar pelos resultados

A responsável pelo canal de educação financeira “Me poupe” alerta também para a importância da análise comparativa, pois se o empreendedor tiver um único item todas suas decisões serão unilaterais. “Nem mesmo na nossa própria vida amorosa deixamos de comparar possibilidades, por que então eu não compararia os investimentos na minha empresa?”, brinca.

Sobre inspiração e Resultados Extraordinários

No encerramento do evento, Magic Johnson, lenda da NBA subiu ao palco para participar de um talk show com Fred Trajano e Aron Wierson, assessor de imprensa internacional do Magalu. Considerado um dos principais jogadores da história do basquete, Johnson compartilhou aprendizados inspiradores sobre superação, resiliência, inclusão e diversidade.

“Venho falando da importância da diversidade há mais de 30 anos. Fico muito feliz que esse assunto finalmente tenha entrado na pauta das grandes organizações. Fico muito feliz quando vejo empresas como o Magalu e suas lideranças realizando ações que reforçam a importância dessa agenda”

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Como prevenir golpes bancários no seu celular

Após o furto ou roubo de aparelhos celulares, vem sendo cada vez mais comum a ocorrência de golpes bancários capazes de limpar a conta das vítimas antes que elas consigam realizar o bloqueio do cartão ou do próprio celular. Procon-SP e a própria Federação Brasileira de Bancos (Febraban) vêm alertado para a ação de quadrilhas especializadas nesse tipo de ação.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP) só em 2020 o estado de São Paulo registrou mais de 300 mil roubos ou furtos de celulares, o que significa uma média de 825 ocorrências do tipo por dia. Em junho deste ano, foram 1.245 registros: média de uma ocorrência a cada 36 minutos.

É corriqueiro que os bandidos subtraiam os aparelhos das vítimas durante o uso, como em uma ligação ou checada no WhatsApp, pois o celular está desbloqueado. Portanto, manter o celular no bolso é o mais prudente. No entanto, há ações violentas até mesmo para quem está dentro do carro.

Recentemente, um vereador de São Paulo foi furtado no congestionamento, após sair da Câmara dos Vereadores e checar o aplicativo de trânsito Waze. Em menos de duas horas, os criminosos desviaram R$67 mil de duas contas bancárias. Como? Transferindo o valor de duas contas do Itaú para outra conta do próprio parlamentar do banco Original. Foi então criada uma chave PIX no aplicativo, de onde repassaram o dinheiro para cinco contas bancárias. Outras contas, dos bancos Santander e Banco do Brasil, também sofreram tentativa de invasão, mas sem sucesso.

Ao portal G1, o vereador Marlon Luz (Patriotas), declarou não confiar mais na segurança digital das instituições financeiras. “Eu nunca mais terei aplicativo de banco no celular. Não é seguro. É difícil, mas é a única coisa, não conseguem nos garantir segurança.”

Em um mundo ideal, todos teríamos dois aparelhos e um deles permaneceria em casa para proteger os apps bancários, mas é possível se precaver com atutudes simples e um pouco de paciência.

É importante que se saiba que, mesmo sem as senhas salvas, aquele que tiver o celular em mãos terá o necessário para redefinir todas elas através de SMS, WhatsApp, e-mail e dados salvos diretamente no aparelho.

Um passo fundamental para garantir que tenha tempo hábil para bloquear todos os acessos do seu aparelho é salvar uma quantidade considerável de números; isso evitará muita dor de cabeça para reaver o valor de uma possível transferência criminosa. São eles:

  • o telefone das suas instituições financeiras (para bloqueio da conta)
  • login e senha do Internet banking (para bloqueio remoto do acesso no aplicativo)
  • dados dos cartões bancários (para agilizar o processo de bloqueio)
  • o número da sua operadora de telefonia celular (para cancelar a linha telefônica e o chip)
  • o MEI do seu aparelho (para bloqueio do aparelho em si)

Outro ponto importante é que as providências referentes ao e-mail, WhatsApp e aplicativos bancários devem vir antes das referentes à linha. Isso porque com a linha cancelada fica mais difícil tomar providências quanto às informações contidas no aparelho.

Feito todo o bloqueio, é primordial que seja realizada a troca de todas as senhas e o registro de um boletim de ocorrência pela internet. Mas ainda haverá o risco de que empréstimos e abertura de contas sejam realizadas nesse ínterim, portanto, acessar a ferramenta Registrato do Banco Central pode auxiliar no controle desse tipo de ação.

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Open Banking: por que foi adiado e quais os impactos?

No mês passado, o Banco Central alterou a data de início da Fase 2 do Open Banking para o dia 16 de agosto. De acordo com o comunicado da autarquia federal, o adiamento se deve ao pedido formal da estrutura de governança do BC, formado por representantes de bancos e fintechs responsáveis pelo “manual” do compartilhamento de dados.

A adoção do open banking é obrigatória para instituições financeiras classificadas pelo Banco Central como S1 e S2, o que inclui, grosso modo, os bancos grandes e médios.

De acordo com o jornal Valor Econômico, as falhas de verificação foram observadas na estrutura do open banking como um todo, e não em instituições específicas. E a tarefa de adequação se mostrou mais penosa para bancos, dada a quantidade de dados que têm para compartilhar. Ainda assim, o adiamento contou com a anuência das fintechs, para quem a adoção é mais simples.

O que ocorre na segunda fase? As instituições financeiras começam a abrir o acesso, mediante autorização dos clientes, de dados cadastrais, conta corrente, cartão de crédito e operações de crédito a seus pares. Por causa da complexidade, o processo de implementação é realizado gradativamente.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) classificou o adiamento como um “processo natural dentro de uma infraestrutura dessa complexidade e magnitude”. Já a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) avaliou a decisão do BC como uma mudança correta.

Surge um protagonista – Com uma base de 55 milhões de usuários, a empresa de tecnologia e plataforma de pagamentos PicPay anunciou a compra de um dos precursores na área de compartilhamento de dados no Brasil, a plataforma de gestão financeira com 6 milhões de usuários, Guiabolso.

Em nota no blog da empresa, o CEO do PicPay, José Antonio Batista, revelou que a aquisição visa posicionar o PicPay como protagonista do open banking, além de acelerar sua operação de marketplace financeiro, que já conta com cartão, crédito pessoal e empréstimo entre pessoas.

A fintech Guiabolso desenvolveu profundo expertise em inteligência de dados e foi precursora do movimento que está acontecendo agora com a chegada do open banking. Com a operação, o PicPay também passa a ser detentor de todo esse domínio tecnológico, de inteligência de dados e de execução do open banking.

Além disso, o Guiabolso conta com um marketplace financeiro consolidado, com mais de dez parceiros e nomes como Creditas, BV, Digio, Icatu e Órama. Assim, o PicPay aumenta seu leque de parceiros na distribuição de cartões, empréstimos, seguros e investimentos, com grande potencial de escala por meio da oferta desses produtos a seus mais de 55 milhões de usuários cadastrados.

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HSM Expo Now: Mundo BANI

O segundo dia de Now! Week teve início com a presença do CEO da HSM e Co-CEO da SingularityU Brazil, Reynaldo Gama, que trouxe ao palco Jamais Cascio.

Mundo BANI – Jamais Cascio
Um dos 100 maiores pensadores globais segundo a revista Foreign Policy, Jamais Cascio explora há mais de 25 anos a interseção entre meio ambiente, tecnologia e cultura se especializando na criação de cenários futuros plausíveis. Ele é membro do Institute for the Future, onde trabalha em uma ampla gama de projetos.

Seu trabalho já apareceu em diversas mídias, incluindo documentários. E realizou palestras ao redor do mundo para públicos do Banco Mundial, TED e a Academia Nacional de Ciências, abordando questões relacionadas a como enfrentar o futuro global. Em 2017, a University of Advancing Technology concedeu-lhe um Doutorado Honorário em reconhecimento ao seu trabalho.

Cascio iniciou sua apresentação discorrendo sobre a natureza do mundo caótico em que conseguimos presenciar mudanças repentinas de poder. “A ideia de mundo VUCA (volatile, uncertain, complex, ambiguous) era uma tentativa de tornarmos um cenário bagunçado gerenciável. No entanto, esse termo já não abrange tudo que tem ocorrido. BANI (brittle, anxious, nonlinear, incomprehensible), por sua vez, demonstra que essas forças sistêmicas não são gerenciáveis, mas adaptáveis“, explica.

Brittle: as coisas frágeis não são resilientes. Nesse caso, representam tudo aquilo que, em condições normais, funciona mas em um ambiente caótico vem abaixo
Anxious: quando estamos ansiosos, ficamos sempre à mercê de tudo o que pode dar errado e foge do nosso controle. Esse estado representa um constante estado de desinformação que leva a um desconforto mental e emocional
Nonlinear: a não linearidade faz com que causa e efeito sejam desproporcionais
Incomprehensible: a ausência de sentido se tornaram algo corriqueiro na era em que vivemos. A complexidade excede nossa capacidade de entendimento

A sociedade não sobreviverá se tratarmos as transformações que estão ocorrendo agora como meras questões políticas e tecnológicas. Digo isso baseado nos meus mais de vinte anos de carreira“, declara. Segundo Jamais, no mundo BANI, a intuição, a empatia e a resiliência são cada vez mais importante pois se tratam de capacidades exclusivamente humanas.

De acordo com Jamais, a próxima década, sem dúvida, será difícil mas o colapso não é o único resultado possível. “Temos a tecnologia necessária para revertermos fatalidades. O caos eminente tem na mudança seu melhor caminho. Ainda podemos escolher o melhor caminho para nos tornarmos mais seguros de como navegar nesse mundo caótico. No entanto, nossa visão do futuro que teremos ainda é muito limitada”, finalizou.

A gerente de produtos co-branded da HSM, Tatiana Magalhães, trouxe algumas questões para que Jamais Cascio abordasse ao vivo.

Como os líderes e organizações podem ajudar colaboradores a enfrentar a ansiedade?
A empatia é fundamental. Reconhecer e dar apoio às partes interessadas: funcionários, famílias de colaboradores e todos do ecossistema lidando com os traumas da pandemia, questões políticas e até climáticas. Quando você pratica empatia, com lealdade emocional, acaba recebendo isso de volta, há reciprocidade dos times com suas organizações.

Em termos de futuro, qual seria o principal desafio global?
Aquecimento global, sem dúvida. Essa será a principal questão. Queiramos ou não, a política, a economia, a tecnologia e a sociedade precisarão mudar por conta da crise climática que acabará sendo tão ruim quanto a pandemia.

Como as fake news nos tornam mais ansiosos e como podemos lidar com isso?
Esse é um problema que não possui solução imediata. O que eu sugeriria seria respostas críticas para que nos possamos nos desenvolver. Trabalhar a habilidade de avaliar melhor tudo que nos cerca, já na educação primária pode funcionar. O ato de registrar coisas incomuns pode fornecer mais pontos de vista e isso possibilita que possamos avaliar de forma holística o que ocorre.

O estudo de futurologia é bastante pessimista. Como podemos lidar com isso?
A realidade é realmente dura. Mais que sermos otimistas, precisamos reconhecer que nem tudo está perdido. Temos todas as ferramentas e habilidades que precisamos para melhorarmos as coisas. Provavelmente, começaremos a utilizá-las, mas levará algum tempo. No futuro, pensarão que éramos loucos, mas ficarão impressionados com nossa capacidade de reverter o atual cenário. Os desafios que enfrentamos são tão severos e a lentidão de resposta dos governos nos mostram que, sim, estamos caminhando para uma catástrofe de níveis que nunca vimos antes. Mas há chance.

O que dá esperança a você?
Os jovens, aqueles de vinte, trinta anos ou menos. A era do caos já é comum a eles. Essa geração veio ao mundo sem ilusões sobre o que está acontecendo. Quando falamos com os adolescentes, notamos que eles culpam a geração anterior pela situação atual, mas eles têm anseio de agir. Realmente acredito que eles possuem raiva suficiente para fazerem algo quando tiverem a chance.

Como o contexto BANI afeta as crianças e como os pais podem prepará-los para o futuro?
Construir pensamento crítico nas crianças é a chave. Ensiná-las a analisar tudo que está por trás do que elas enxergam. Independentemente de qual caminho elas escolham na vida, elas se depararão com pessoas que estarão sofrendo e isso não pode ser ignorado; as habilidades sociais individuais conseguirão manter a juventude conectada ao lado humano, otimista, mas também realista.

No segundo momento da Expo Now!, o gerente de conteúdo Thomaz Gomes introduziu uma conversa com Alexandre Pellaes.

Mundo BANI – Alexandre Pellaes
Um dos principais pesquisadores de relações corporativas do país, com profunda vivência da realidade de diferentes gerações de profissionais no mundo do trabalho, Alexandre Pellaes palestra sobre Felicidade e Propósito no Trabalho e busca ajudar as pessoas a serem felizes em suas atividades profissionais e encaixarem corretamente a importância de suas carreiras e emprego no contexto de seus propósitos de vida.

O consultor em modelagem de estruturas organizacionais e implementação de políticas de RH, afirma que buscamos antes de mais nada um mundo meaningful (com significado) e universal. “Seja VUCA ou BANI, estamos tentando dar nomes a um mundo ainda incompreensível e mutável. Nada no mundo tem um sentido em si, o ser humano que atribui sentido e significado às coisas. A incompreensão do mundo traz anseio de transformarmos tudo o que nos cerca em conceitos entendíveis, passíveis de serem analisados”.

De acordo com Pellaes, o trabalho é a força humana de colocar uma intenção dentro do mundo. Ou seja, uma forma de se concretizar nossos potenciais. E para detalhar a origem dessa força aplicada em carreiras, ele nos introduz uma bifurcação:

Autonomia: algo que de dentro pra fora nos faz partir para a realização
Heteronomia: algo de fora para dentro que coloca sobre a pessoa uma pressão para a ação

Quando crianças, experimentamos o mundo descobrindo nossas potencialidades e isso nos apresenta nossa própria autonomia. Os adúltos passam a restringir essa autonomia e, então, as crianças descobrem que há uma barreira hierárquica e com ela a heteronomia. Que, mais tarde, é reforçada pela instituição de ensino, através dos professores. Subsequentemente, pelo mercado de trabalho, através dos chefes“, esclarece.

Sobre modelos de gestão compartilhada – aqueles que você anda ouvindo por aí: gestão horizontal, holocracia, sociocracia, organizações orgânicas, Pellaes afirma que a cultura organizacional é um laboratório de como as pessoas se enxergarão no mundo real. “Não dá para ser um profissional maldoso, competitivo e, saindo do escritório, se tornar uma pessoa diferente disso. O estímulo de mudança de visão de mundo dentro das organizações tem um impacto na sociedade que não pode ser ignorado”.

A auto gestão é também um ponto a ser trabalhado pelos profissionais. “É por meio da empatia que o profissional consegue enxergar seu impacto sobre as demais pessoas. Mas o desafio está em saber o que eu fazer com esse impacto“, afirma.

Sobre a questão geracional, Pallaes afirma que é uma pauta delicada porque não devemos deliberadamente classificar pessoas pela geração a que pertencem. “As organizações vêm tentando encontrar novas formas de promover uma diversidade etária saudável. E o grande desafio é dar voz à toda gama de gerações, não através de cotas mas de contratações que verdadeiramente cubram todos os níveis organizacionais”.

Para finalizar, Pallaes deu uma pista do que enxerga para o futuro do trabalho. “Sou um dos futuristas otimistas. Acredito imensamente na capacidade humana, vejo um futuro que sai do campo da intenção e vai para o campo da ação. O discurso bonito não será mais suficiente, a pergunta não será mais: por que você faz o que faz. Veremos uma mudança do emprego tradicional verticalizado para um modelo em que focaremos no impacto do propósito de cada membro da organização. Convido a audiência a se perguntar como está fazendo suas atividades e por que faz dessa maneira. A busca pelo propósito, com menos intenção e mais ação é a possível chave”, conclui.

O maior evento de gestão da América Latina começa dia 6 de dezembro e você já pode adquirir seu ingresso nesse link. Esther Perel, Porter Erisman, Jeffrey Pfeffer e Angela Ahrendts são alguns dos nomes confirmados, não perca!

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HSM Expo Now: Jornada Ser – Os 4 compromissos

A HSM Expo Now começou hoje com a proposta de te guiar por uma jornada de autoconhecimento e de construção de novos futuros.

Ser, Sentir e Fazer Sentido. A partir desses três pilares, nossa jornada traz as discussões para decifrar os desafios do presente — e antecipar cenários futuros. E o start é o Episódio Zero, uma importante jornada de autoconhecimento desenvolvida em parceria com a equipe Gravidade Zero. Um momento para esvaziar a mochila, repensar paradigmas e experimentar novos olhares para desafios sem precedência.

Check-In Emocional

A instrutora de meditação e analista comportamental, Tania Mujica, era uma empreendedora extremamente ansiosa que passou por uma profunda transformação ao encontrar o equilíbrio entre os extremos de uma rotina corrida e o desejo de se sentir plena em todas as áreas de sua vida.

Em sua apresentação, Tânia trouxe os perigos de nos conectarmos apenas com aqueles que concordam conosco. “Quando escutamos apenas pessoas que pensam exatamento como nós, vivemos dentro de bolhas, redomas confortáveis e lindas. Mas bolhas são frágeis, se baseiam na falsa impressão de que estamos todos conectados por um mesmo ponto de vista”, afirma.

Segundo Mujica, a escuta ativa permite que estejamos presentes e entendamos o que está por trás das palavras e opiniões. “É no ato de se permitir verdadeiramente ouvir o outro, sem buscar denominadores em comum, que nos deparamos com ideias autênticas, capazes de nos transformar“, afirma.

O Emergir da Grande Potência – Adeus massa, bem-vindo coletivo

Dante Freitas é egresso da Singularity University e, hoje, atua como chapter da instituição aqui no Brasil, em Recife. Ele é um dos fundadores do Gravidade Zero, um laboratório de inovação e impacto social cujo princípio é nos libertar das normas e fazer com que a gente aprenda a desaprender.

Em sua apresentação, Dante reflete sobre a meta corporativa por impacto de milhões, sem que os profissionais desfrutem da busca pelo auto impacto. Abrindo mão do prazer em se satisfazerem ao se conectarem com o que causa identificação dentro de suas próprias áreas de atuação e na vida particular.

Ainda nesse contexto, Dante propõe a transgressão como exercício de coerência com nós mesmos. “A coisificação do ser vem da ideia de massa. Educação para a massa, saúde para a massa. Afinal, quem é a massa? Não podemos nos esquecer que a subjetividade não se desatualiza, a objetividade sim“, provoca.

Os 4 Compromissos

Don Miguel Ruiz foi considerado em 2016 pela revista Watkins Mind Body Spirit a 28.ª pessoa espiritualmente mais influente do mundo, numa lista encabeçada pelo Dalai Lama e pelo Papa Francisco.

Internacionalmente conhecido de “As Quatro Verdades”, bestseller do New York Times durante mais de sete anos, e “O Mestre”, seus livros venderam mais de sete milhões de exemplares só nos Estados Unidos e foram traduzidos para dezenas de línguas em todo o mundo.

Dedicado a vida a partilhar a sabedoria da ancestral cultura tolteca através dos seus livros, conferências e viagens por todo o mundo, Ruiz propôs uma reflexão sobre quem afinal de contas somos nós mesmos e qual é nossa real história.

Se você notar, na história da sua vida, há tantas mentiras que você adota como verdade. Isso porque investimos nossa fé nas nossas crenças. Todos nós fazemos interpretações de acordo com o que acreditamos. Quando colocamos as mentiras de lado, nos deparamos com a coisa mais assustadora que pode surgir: nós mesmos. É aí que colocamos em questão tudo que acreditamos sobre quem somos“, afirma.

O escritor ainda colocou luz sobre a oportunidade de fazer com que pessoas floresçam com a leitura dos seus livros ao abrirem mão da domesticação – um sistema de recompensa e punição praticado por cada indivíduo de acordo com suas metas. “Essa domesticação corrompe uma bonita tradição humana de nos conectarmos com nossa essência, nossa identidade, nossa espiritualidade”, complementa.

Ao final de sua palestra, Don Miguel Ruiz foi entrevistado por Murilo Gun que trouxe questões como criação de filhos, amor ao próprio corpo, exercício do amor incondicional e reiterou os quatro compromissos propostos em seu best seller:

O primeiro compromisso: Seja impecável com sua palavra
O segundo compromisso: Não leve nada para o lado pessoal
O terceiro compromisso: Não tire conclusões
O quarto compromisso: Sempre dê o melhor de si

O Emergir da Grande Potência – O Acaso

Renan Hannouche foi listado em 2019 pela Forbes Under 30 como um dos jovens empreendedores promissores em tecnologia e inovação. E é um dos fundadores do Gravidade Zero.

Sua jornada está apenas começando. Esse é só o primeiro dos sete encontros online e gratuitos que teremos juntos na HSM Expo Now! 2021.

No próximo dia 28, estaremos com Jamais Cascio (Mundo BANI) e Alexandre Pellaes (Conhecimento na Prática). Para acompanhar o evento, basta se cadastrar nesse link.

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PLAN100, o programa global de desenvolvimento de talentos da AstraZeneca

No último ano, a gigante biofarmacêutica AstraZeneca ganhou as manchetes dos noticiários pela sua posição de destaque na corrida pela vacina do Covid-19. Mas a empresa britânica já possui um longo histórico no desenvolvimento e comercialização de medicamentos de prescrição desde 1999, com presença em cerca de 100 países.

E como uma organização global com mais de 70 mil funcionários retém e desenvolve seus talentos, fazendo a triagem e implementação dos projetos de inovação propostos pelos times? Bem, essa é uma dúvida que ressoou na companhia até 2017, quando foi lançado o PLAN100.

O projeto nasceu com o objetivo de combinar cem funcionários de alto potencial com cem projetos, promovendo o intercâmbio cultural de diferentes nacionalidades dentro da empresa. Rumo ao quarto ano e com 300 iniciativas implementadas em diversas partes do mundo, o programa da AstraZeneca já incorporou 10 propostas de lideranças brasileiras às suas operações.

“Para expandir as fronteiras da ciência, precisamos expandir as fronteiras geográficas e inovar em nossa forma de trabalhar. Vemos a diversidade cultural como um catalisador estratégico. As melhores ideias não acontecem em isolamento, então promover o intercâmbio de experiências e a troca de boas práticas é uma forma de aproveitarmos a inteligência coletiva da nossa rede de funcionários”, afirma Rafaella Lopes – Diretora de Recursos Humanos da AstraZeneca no Brasil.

A biofarmacêutica aposta no lifelong learning para incentivar seus funcionários a seguirem suas próprias carreiras mas sem deixarem de aprender com os colegas de outras áreas. Antes da pandemia, essa troca se dava através do intercâmbio de talentos, visando a aceleração do desenvolvimento dos times. Mas isso foi modificado no último ano.

“Até 2020, os funcionários viajavam ou, até mesmo, se transferiam temporariamente a outro país. Com os aprendizados trazidos pela pandemia ampliou-se a possiblidade de dedicação part-time com a contribuição nos projetos de forma remota“, ressalta Bruna Farinelli, Gerente de Treinamento e Desenvolvimento da empresa.

O incentivo à difusão das melhores práticas organizacionais entre os países leva à oportunidade de desenvolvimento global aos funcionários. Um cenário impactante para os que chegam entre os cem escolhidos. E é o caso da especialista em Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social, Ana Luisa Zainaghi.

“Assim que surgiu uma vaga que ia ao encontro do que eu gostaria de desenvolver e que eu poderia contribuir, me inscrevi e passei no processo. Tive oportunidade de trabalhar com pessoas de outras culturas, olhar as necessidades de outros mercados, e sair da minha zona de conforto ao ser desafiada a pensar de maneira mais ampla e estratégica. A diversidade de pessoas faz com que ideias surpreendentes surjam a partir das nossas diferenças. O programa me possibilita ter mais exposição a líderes de fora do meu mercado, além de aprender mais sobre novas áreas e novas realidades, uma bagagem essencial para ascender na carreira“, conta Zainaghi.