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Qualidade, uma palavra com muitos horizontes

É quase que “prato do dia” falar em qualidade dentro das organizações. Se fala em qualidade nas entregas, qualidades nos processos, qualidade das pessoas etc. Mas o que será que estamos falando quando expressamos esta palavra? Qual o modelo inerente que sustenta tal conceito?

Contudo, como a palavra qualidade virou mais uma das palavras esvaziadas na contemporaneidade é preciso resgatá-la e clarificá-la. O que desejo propor aqui é um modelo, matriz ou forma de compreensão deste conceito. Não é o melhor nem o pior, mas sim, aquele que dentro dos anos de experiência como gestor de grupos humanos de alta performance ao redor do mundo tenho experenciado e aplicado.

Este modelo se baseia em três pilares e suas possíveis intersecções. A primeira dimensão ou pilar é o das pessoas. Por uma razão óbvia, elas são o maior ativo das empresas e o único dos pilares que, de fato, pode promover transformação, aprendizagem sistêmica e conhecimento. O segundo são os métodos, entendidos como caminhos para se chegar a um objetivo, que, em geral, está contido na visão das organizações ou o seu propósito. Por fim, o terceiro são os processos que marcam as etapas e o passo a passo do dia a dia da instituição em prol do seu desenvolvimento e rumo às suas metas.

Destas intersecções nascem desdobramentos importantes para a gestão e, consequentemente, para a qualidade. Vejamos alguns. 1º Da relação entre pessoas e processos nasce a cultura organizacional. Isto é interessante porque muitos tendem a tratar a cultura como um ente com vida própria dentro das organizações, isto não é verdade. A cultura é o resultado da interação rotineira de um grupo humano dentro de um contexto, movido por hábitos ou formas reforçadas de conduta. A cultura toca o comportamento das pessoas e por isso, possui aspectos conscientes e inconscientes.

A segunda relação possível se dá a partir da intersecção entre pessoas e métodos. O fruto desta relação são as rotinas ou condutas institucionais. Daí é que, em geral, nascem os códigos de conduta, também conhecido como código de ética, bem como, os manuais de procedimentos, POP´s etc.

Uma terceira dimensão também é possível de ser contemplada que é resultante da relação entre métodos e processos, a saber, os fluxos, que, em geral dão o ritmo do trabalho e do tempo de resposta das organizações. Tal modelo pode ser representado da seguinte maneira.

Dentro desta perspectiva, a qualidade é, em primeiro lugar o resultado do trabalho bem-feito nestas três dimensões e das suas possíveis intersecções. Desta forma, a mais básica conclusão que se pode inferir é que, sem pilares bem estruturados de pessoas, processos e métodos falar de qualidade pode ser apenas uma boa e inocente intenção.

A segunda consideração importante é que a dinâmica organizacional, que em geral as empresas buscam aprimorar, como cultura, fluxos e rotinas são pontos de contato e não pontos nucleares. Falando de outro modo elas são o software e pessoas, processos e métodos são o Hardware. Desta forma se desejamos aprimorar uma organização precisamos primeiro melhorar os pilares para que assim, as intersecções sejam aprimoradas, fazer o caminho contrário só produzirá perca de tempo, dinheiro e talentos.

Em síntese, ao falarmos de qualidade precisamos revisitar os fundamentos que nos levam a ela. Dentro da minha experiência estes são três: pessoas, processos e métodos.

Escrito por Gillianno Mazzetto, Co-founder da Eipsi

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ESG Exponential: Cenários e Perspectivas

As empresas que têm responsabilidade ambiental, social e em governança corporativa são cada vez mais valorizadas pelo consumidor. As pessoas têm demonstrado que preferem comprar produtos e serviços de organizações que se envolvem com causas justas. Um estudo recente realizado pela McKinsey & Company mostrou que 85% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos sustentáveis; e 97% esperam que as marcas resolvam problemas de foro social.

Diante deste cenário, há uma enorme oportunidade de geração de valor, onde organizações dos mais variados segmentos – para além do crescimento econômico e bottom-line financeiro – almejam externalidades de impacto positivo na sociedade e no planeta.

Tecnologias exponenciais: inovação, impacto e escala
Existem 440 milhões de dispositivos digitais em uso no Brasil (computador, tablet, smartphone e notebook) – o que representa uma relação impressionante de dois devices por habitante. A convergência das forças de digitalização e democratização do acesso à internet resultam na explosão de dados.

É estimado que em 2022 mais de 70% do PIB mundial já tenha passado pelo processo de digitalização – a era do Big Data é avassaladora: no mundo são produzidos 2,5 quintilhões de bytes de dados todos os dias. Segundo a International Data Corporation (IDC), em 2021, o mercado global de Business Data Analytics movimentou mais de US$ 215 bilhões. O Brasil não é exceção, estima-se que até o fim deste ano, US$2,9 bilhões serão destinados a serviços e soluções de Big Data Analytics. Assim, a dependência da nuvem é uma imperativa tecnológica inegociável – o que, consequentemente, exige investimentos pesados em infraestrutura. Nomeadamente, entre outros, ganha relevância a transformação e evolução da rede atual de comunicação móvel de quarta para quinta geração – a  expectativa é que até julho deste ano todas as capitais estaduais brasileiras já tenham acesso à tecnologia 5G. No mundo digital, consumidores e empresas terão nesta inovação um motor de crescimento e aceleração. Amanhã, operadoras de rede de telecomunicação, de Internet das Coisas (IoT) e data centers, para além de serem avaliadas na oferta de soluções de conectividade hyperscale seguras e de alta velocidade, serão progressivamente escrutinizados seus programas de responsabilidade social, corporativa e ambiental. Os mercados de consumo e investimento sofisticados mostram de forma consistente sinais de interesse em governança corporativa, valorização do meio ambiente e respectivos stakeholders. As empresas que mais se identificam com estas diretrizes e que já ministram programas de impacto real terão seus investimentos compensados com a preferência e a lealdade do mercado.

Os benefícios e o valor agregado do 5G são disruptivos e exponenciais – a inovação nos vários segmentos atrairá cada vez mais usuários – as soluções ganham escala o que, por sua vez, demandam mais infraestrutura. Embora um ponto de transmissão 5G seja mais eficiente no tocante ao consumo de energia versus seu precursor (4G), antecipa-se que os sistemas de quinta geração demandem mais pontos. Portanto, de acordo com o S&P Global Market Intelligence Report (2021), será necessário implantar novas antenas, aumentar o número de torres, e adaptar mais pontos e peças de mobiliário urbano para comunicação e transmissão. Estes fatores combinados com maior demanda e intensificação de geração de dados – segundo o relatório – apresenta o potencial de aumento significativo de consumo de energia; o que por sua vez aumenta também o índice de emissão de carbono e externalidade negativa ao meio ambiente. Salientando, que mais pontos de transmissão implicam mais componentes eletrônicos em utilização, inclusive baterias. E considerando que estas têm a vida útil relativamente curta – e que hoje temos dificuldades na logística reversa das mesmas – a ausência de compromissos regulatórios e politicas de descarte entre setores público e privado podem potencializar danos ambientais. Por conseguinte, as ações de operadores de rede de comunicação móvel e IoT, data center, plataformas e sistemas digitais de software devem ser guiadas pelo ESG.

Inteligência Artificial e Federated Machine Learning em aplicações Cloud, Fog e Edge Computing são exemplos de tecnologias exponenciais que já estão ao serviço da sociedade, permitindo o acesso à nuvem, aumentando capacidade de processamento de dados e tomada de decisão entre servidores e dispositivos (móveis e IoT).

Durante a pandemia, as atividades em home office e a digitalização de bens, produtos e serviços reduziram a pegada de carbono mundial – resultado alcançado pelo menor uso de transportes, equipamentos em escritórios e economia de energia. Um estudo realizado no Reino Unido pela consultoria Platform mostrou que se a jornada de trabalho fosse reduzida para quatro dias na semana sem perda de salário, haveria a queda de 21,3% da pegada de carbono – cerca de 127 milhões de toneladas/ano. Como referência, é mais do que toda a pegada de carbono da Suíça. Isso pode estimular empresas e governos a repensarem modelos, políticas e legislação, visando a obtenção de vantagens não só ambientais, mas também flexibilidade de trabalho e qualidade de vida para os colaboradores.

Dentro das empresas, o cuidar das pessoas é objeto de atuação do ESG. A preocupação social e a renovação de uma cultura operacional pautada em responsabilidade ética ganham prioridade. Questões como o bem estar mental dos profissionais conquistaram tamanha relevância que em janeiro deste ano a Síndrome de Burnout passou a ser incorporada à legislação brasileira e reconhecida como doença ocupacional.

As boas práticas de governança e a responsabilidade corporativa são colocadas à prova diante das medidas que norteiam a segurança cibernética. Os consumidores querem transparência sobre a privacidade de dados, conforme mostrou o levantamento feito pela consultoria Capterra, divulgado no ano passado, apontando que 67% dos brasileiros estão preocupados com a segurança digital.

Modelos de Inteligência Artificial treinados com dados sintéticos, no lugar de dados históricos e reais, aceleram os processos; no entanto, o ESG terá um papel essencial para que o aumento da velocidade não comprometa a integridade dos algoritmos de machine learning, quepara além de questões de privacidade das informações terão que expurgar vieses que envolvam temas de sensibilidade política, corporativa, individual e social. Diante desses desafios, empresas como Amazon, Google e Microsoft têm investido no desenvolvimento de tecnologias e métodos que priorizem governança nas empresas, sociedade e meio ambiente.

Processos de desenvolvimento industrial, automação, ciências de materiais, descoberta de novas matérias primas, logística e supply chain global vão se beneficiar de Inteligência Artificial, Digital Twins e Digital Thread. Estas inovações serão capazes de simular e validar o desenho de sistemas eficientes e assim produzir materiais de alto valor agregado, por vezes até com redução de custos. Estes produtos devem oferecer a possibilidade de serem re-engineered e adaptados a uma economia circular, dialogando com os quesitos de crescimento econômico sustentável.

Com o avanço tecnológico, em breve, a computação quântica será uma realidade comercial – representando uma revolução na otimização de trabalhos e solução de problemas de escala exponencial que o poder computacional de hoje não consegue resolver. A supremacia quântica de processamento e modelagem de dados é incomparável – o que acende o sinal de alerta quanto a questões de criptografia e segurança de dados pessoais e industriais. Os métodos atuais, considerados seguros e inquebráveis, podem se tornar vulneráveis. Certamente, a pauta ESG será uma ferramenta instrumental para que a computação quântica traga mais benefícios do que preocupações.

A democratização e a demonetização dos equipamentos eletrônicos no mundo industrializado, globalizado, com acesso à internet – tanto no mercado industrial como no varejo – precisam vir acompanhadas do ESG. Com o progresso do IoT, surge uma janela de oportunidade para quem tem programas transformadores que envolvam ambiente, sociedade e governança.

ESG: riscos e oportunidades
Existe uma grande tendência de que o ESG ganhe escala e se torne cada vez mais presente na vida das pessoas – e isso deve se manifestar tanto no ambiente corporativo como nas atividades sociais, políticas e econômicas. Apesar de haver enorme aderência por parte de consumidores e empresas, alguns pontos críticos não podem ser desprezados e colocam em risco o caminho crítico e o sucesso do ESG: Greenwashing, Greenflation e Slowbalization.

Greenwashing são projetos só de aparência que funcionam para serem citados em relatórios de investimento e divulgação de marketing, mas não valorizam o ecossistema, a cadeia, nem apoiam efetivamente o colaborador.

Greenflation significa inflação verde na tradução livre – é a inflação causada pela demanda de insumos, recursos, produtos e instrumentos que são usados na produção de energias renováveis. Dois grandes segmentos foram fortemente afetados pela greenflation recentemente no Brasil após episódios que fizeram com que a sociedade passasse a cobrar das empresas as responsabilidades com o ESG: as mineradoras por causa dos desastres em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019), e as exploradoras de petróleo depois do vazamento de grande volume de óleo no oceano Atlântico em 2019.

Tanto a mineração quanto a exploração de petróleo são atividades que envolvem commodities essenciais para o desenvolvimento das cidades e da economia – que, por sua vez, estão se tornando cada vez mais dependentes de equipamentos elétricos – desde smart city sensors até carros – o que demanda consumo de energia. O desafio é ampliar a produção sem gerar inflação, já que o aumento dos preços das commodities faz os custos dos projetos de energia verde encarecerem. O Brasil é privilegiado porque tem uma matriz energética sustentável, mas esta não é a realidade de outros países, especialmente europeus. Uma das alternativas para evitar ou calibrar a greenflation conta com o apoio de atores de investimento a longo prazo e de instrumentos financeiros específicos tais como os Green & Sustainability Bonds – que oferecem Project Finance destinados ao segmento de infraestrutura verde, mas que em contrapartida exigem transparência e comprovação de realizações das ações ESG. O funding do green project funciona com checks & balances – ou seja, as empresas têm acesso a dinheiro inteligente para que os projetos ganhem escala dentro das boas práticas e consigam impactar positivamente o meio ambiente, oferecendo à sociedade um produto ou serviço de qualidade; nos preços de mercado e de forma competitiva e sustentável.

Slowbalization é o terceiro risco que ameaça a capacidade de escalabilidade do ESG no mundo – funciona como uma força contrária à globalização. Algumas nações têm se posicionado política e economicamente contrárias ao mercado global de trade priorizando o  desenvolvimento local, prejudicando a competitividade e estimulando o nacionalismo – chegando até mesmo a ferir as regras da WTO – World Trade Organization, organização internacional que estipula as regras de comércio entre países. Até agora, as saídas dos blocos macroeconômicos e os casos de protecionismo são pequenos e isolados, mas existem. O ESG passa a ser ameaçado a partir do momento em que a competitividade diminui num determinado mercado e restam menos oportunidades, interoperação, interatividade e dependência de tecnologias ou plataformas de integração e diálogo. Por consequência, forças contrárias à globalização tendem a se afastar de acordos intergovernamentais e corporativos; o que pode desestimular as preocupações com governança e compliance, assim como as boas práticas envolvendo stakeholders e outras condutas que caracterizam o mercado liberal. A falta de incentivos corporativos e a inexistência de concorrência e competitividade tornam o consumidor menos exigente e sofisticado na medida em que desconhece opções que norteiem as suas escolhas. No caso do Brasil, o aumento dos impostos de importação funciona como recurso protecionista, favorecendo o mercado interno. No entanto, o país não se isola a ponto de ameaçar a liberdade econômica.

Para além da qualidade dos produtos e serviços ofertados cair, os projetos de impacto social também diminuem e a tendência é que as empresas fiquem menos sujeitas à governança, reduzam o acesso ao mercado de crédito de carbono e deixem de fazer os projetos de compensação.
Apesar desses cenários que oferecem riscos à aplicação dos valores ESG, há movimentos importantes que surgem como oportunidades para empresas que queiram de fato gerar impacto, construir uma história focada em governança e cuidados com a sociedade e o ambiente. Três fatores são especialmente relevantes: Crédito de carbono, Espaço e Fundos de investimentos.

Crédito de carbono é um produto que nasceu essencialmente vinculado ao zelo pelo meio ambiente – tanto para o agente industrial poluidor motivado pela responsabilidade ética, ambiental e corporativa que tira dinheiro do lucro para investir em medidas compensatórias que podem ser convertidas em crédito de carbono, ou a quem de fato gera o crédito de carbono reduzindo a emissão de poluentes (cap & trade). O interesse em usar esse mecanismo é motivado por uma filosofia alinhada ao ESG; o tema foi amplamente discutido na COP26 – Conferência Internacional do Clima realizada no fim do ano passado em Glasgow, na Escócia. Na ocasião, além da exigência de transparência nas informações entre setores público e privado, foram abordados a emissão de carbono, os protocolos de validação a serem seguidos, como deve funcionar a mitigação, e o processo referente à transação financeira de comercialização do crédito.

O accountability gerado no crédito de carbono depende dos valores ESG e precisa ser valorizado. Nem toda a empresa – dependendo do ramo de atividade – consegue adequar o processo produtivo de ponta a ponta às boas práticas e, nestes casos, o senso de responsabilidade a conduz a um sistema compensatório para que possa cumprir a missão de forma indireta.
ESGS é a sigla ESG acrescida do S de Space, uma tese minha chancelada pela Aerospace Corporation na qual defendo que (1) o maior de todos os global commons é o Espaço na medida em que há um potencial de renda universal incalculável; e (2) a exploração do Espaço com boas práticas de governança é obrigatoriamente um projeto coletivo humano.
Esta riqueza é a oportunidade necessária para alavancar e promover a abundância, o avanço e o crescimento civilizacional que precisamos. Como Space Expert, defendo que num momento em que a corrida espacial é cada vez mais liderada por empresas privadas e não por governos, se não houver governança no espaço, considerando-o como um ativo ou bem global, a humanidade perderá o maior patrimônio disponível. Só o 16 Psyche, asteroide localizado entre Marte e Júpiter, formado especialmente por metais como ferro, níquel, ouro e platina, tem valor estimado em 10 mil trilhões de dólares.

Esta é a última fronteira a ser vencida pelo ser humano. Sem ESGS, a humanidade estará abrindo mão da chance de resolver questões importantes como erradicar a pobreza, promover a mobilidade social, nivelar a aplicação de recursos financeiros e criar fundos de investimentos que por meio de medidas compensatórias solucionem os desafios aqui na Terra.

Link xTech 2022
Caso não haja comprometimento, a humanidade irá explorar o Espaço com a mesma mentalidade extrativista e mercantilista de outrora. Sem fortes práticas ESGS, destruiremos irreversivelmente outros mundos (ambientes, corpos celestes) em uma tentativa fútil de resolver o nosso.

Fundos de investimento desempenham um papel importantíssimo porque injetam recursos para viabilizar projetos de geração de valor vinculados ao ESG em detrimento da prática superficial de greenwashing. Os fundos de Private Equity como BlackRock; de Hedge Fund como Bridgewater; e de Venture Capital como Sequoia Capital proporcionam vantagem competitiva leal, com valorização dos stakeholders, boas práticas de gestão e governança além de estimular o envolvimento orgânico com temas sociais. Segundo o Green Economy Report 2019 da Morgan Stanley, há mais de US$50 trilhões disponíveis para financiar projetos inovadores que resolvam problemas grandes e que impactem o planeta e a vida de bilhões de pessoas.

ESG e a guerra
Ao que parece, o conflito militar entre a Rússia e a Ucrânia não deve terminar tão cedo – as estratégias apresentadas no teatro de operações são características de uma guerra de atrição, ou seja, de exaustão. Pode-se considerar que esta é a primeira guerra ESG na medida em que já existe registro de empresas multinacionais atuantes no mercado russo que se posicionaram de acordo com seus ideais de governança em detrimento de interesses econômicos de seus investidores e shareholders.

Empresas e governos que mantêm relações comerciais com a Rússia farão uma escolha: permanecerão na Rússia, operando e honrando seus contratos; ou demonstrarão que não apoiam a guerra, optando por políticas de desinvestimento, se retirando, fechando fábricas e interrompendo vendas e negociações de produtos e serviços.

Ao adotar um dos lados, haverá consequências de forte impacto. As instituições que mantiveram as atividades comerciais com a Rússia passaram a ser vistas como párias – contra os princípios ESG. E assim lhes é cobrado posicionamento, essencialmente devido à mensagem transmitida pelas empresas que decidiram por suspender seus contratos, já que estas se retiraram do mercado russo, apoiadas por seus clientes, governos e acionistas. Este é o momento oportuno de seus executivos aumentarem o foco em ESG e fazerem uma minuciosa autoanálise, verificando se toda a cadeia produtiva e tese de investimento nos seus mercados de atuação é coerente com o recado dado ao mundo: posicionamento e defesa firmes da responsabilidade corporativa, social e de governança da empresa. Seja qual for a política adotada, as lideranças devem estar preparadas caso a guerra perdure por longo prazo.

Não faltam exemplos de organizações que já demonstraram suas intenções. A BP – British Petroleum – anunciou que venderá a participação da Rosneft (estatal russa) após 30 anos de atividades com quase 20% da empresa o que representaria uma baixa de US$25 bilhões em seu portfolio. O conselho da Shell também informou que pretende sair das joint-ventures com a Gazprom e todas as entidades relacionadas – inclusive encerrando o projeto do gasoduto Nord Stream 2. A ExxonMobil abandonou o projeto das Ilhas Sakhalinas; a norueguesa Equinor optou por deixar a Rússia; a GM anunciou que parou de exportar veículos para o país de Putin; a Delta Airlines suspendeu a parceria que existia via aliança global SkyTeam com a companhia aérea Aeroflot; Maersk e a MSC Cargo suspenderam as atividades e não levam mais contêineres aos portos russos – exceto de alimentos para ajuda humanitária. Cada uma dessas empresas tomou decisões que precisam se mostrar consistentes. Uma vez que investidores, acionistas e donos entenderam que o ESG é importante, elas passam a ter obrigação moral de serem coerentes internamente e checar todas as regras de governança – e investir na sociedade e no ambiente onde atuam. Caso contrário, elas apenas estarão prejudicando 145 milhões de russos que direta ou indiretamente se beneficiavam de produtos, serviços, empregos e que não deixam de ser vítimas das decisões políticas do governo de Vladimir Putin.

O ESG se torna uma questão complexa porque não podem existir posicionamentos controversos. McDonald’s, PepsiCo, Apple, L’Oréal e Zara também optaram por sair do país – fato que não causa estranheza, ao contrário, demonstra a força do ESG. O que resta saber é se elas conseguirão se manter longe desse mercado. Caso voltem, como argumentar/justificar a mudança de decisão? As tradicionais marcas de luxo nunca mais venderão bolsas francesas e relógios suíços para a Rússia?

A expectativa dos stakeholders na economia liberal moderna exige diariamente posições de empresas que até agora não se pronunciaram sobre as medidas de sanção econômico financeiras contra a Rússia. A guerra da Ucrânia é um evento Black Swan e o êxodo das empresas por empatia a valores ESG também pode ser considerado um evento Black Swan, mas este por sua vez, pode causar um Green Swan, pois enquanto as consequências para os russos são a perda de acesso a bens de consumo pós perestroika como Big Mac, outros países que perderão acesso a commodities e energia russa, terão que extrair/minerar eles mesmos ou adquirir os recursos a custos mais altos – gerando inflação ou retrocesso ao consumo de carvão – o que provoca problemas ambientais. A Alemanha, por exemplo, depende de gás natural. Como os alemães vão resolver este impasse? Outros países produtores de petróleo e gás não têm interesse em aumentar a produção porque o preço especulado e elevado os beneficia. O afastamento de hidrocarbonetos de procedência rússa ­– o terceiro maior produtor de petróleo do mundo – da trade internacional resultará em mais extração e desequilíbrios ambientais. Por isso, é possível considerar que um evento Black Swan destamagnitude poderáoriginar um Green Swan.

Para além dos impactos ambientais, os danos sociais são desastrosos, irreversíveis e inquestionáveis e reverberam para outros países. Cerca de 4 milhões de refugiados ucranianos (aproximadamente 10% da população) buscam abrigo na Europa e o custo para receber essas pessoas chegará a 30 bilhões de dólares por ano para a União Europeia.

Diante deste cenário já surgem empresas que saíram da neutralidade e usaram a tecnologia em prol do ESG. O Airbnb, por exemplo, auxiliou via plataforma mais de 100 mil refugiados a encontrarem um lugar para se abrigar, ao mesmo tempo em que Elon Musk ofereceu cobertura de internet para a Ucrânia via Starlink. Outra ação, triste, porém relevante, é a da americana, Clearview AI, que doou seu software e serviços ao governo Ucraniano para realizar o reconhecimento facial dos soldados russos mortos em combate e assim poder contatar suas famílias.

O capitalismo foi exitoso nas últimas décadas na compreensão do mercado, na produção e comercialização de produtos competitivos e geração de lucro. Para o século XXI, este modelo não é suficiente – o lucro continua a ser importantíssimo; no entanto, a empresa deve gerar valor com questões relacionadas ao ambiente, à sociedade e à governança. Em 1970, Milton Friedman, em artigo publicado no Jornal The New York Times, adiantou que “The Business of Business is Business” – hoje, mais de 50 anos depois, adicionaria às palavras de Friedman que “The Business of Business is Responsible Business”.

Peter Cabral é faculty da Singularity University, expert em Disrupção Corporativa, Social e Tecnológica; Mobilidade Urbana Digital; e Futuro das Cidades.

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Calmaria ou tormenta: em qual momento mudar?

Como no mar, há na vida os momentos de calmaria e também aqueles de tormenta. Em quais deles você sente disposição para mudar? Ouso dizer que sua resposta foi “na tormenta” pois é a necessidade que nos impulsiona para realizar transformações. Verdade. Aprendemos isso desde os primeiros momentos de nossa existência. Afinal, nenhum bebê resolve nascer naturalmente antes que a falta de espaço o incomode a ponto de agir pela mudança de habitat.

Mas hoje quero me arriscar a pensar diferente e convido você também para isso. E se escolhêssemos mudar na calmaria? Na hora em que o vento está parado ou soprando de leve na popa e o barco deslisa sobre as ondas com tranquilidade?

Quem me provocou para essa reflexão foi a velejadora e escritora Tamara Klink. Tive a honra de conversar com ela em um encontro que realizamos na empresa, pois ela é uma embaixadora de nossa marca no Brasil. Ela nos contou sobre a aventura que protagonizou, aos 24 anos, sozinha (!!), atravessando o Oceano Atlântico, da África ao Brasil, no Sardinha, seu veleiro. A história dela, além de me emocionar, me colocou para pensar sobre como e quando conduzimos mudanças em nossas vidas.

Volto aqui para meu oceano: o universo da TI. Posso afirmar que vamos todos bem. As empresas crescem dois dígitos há alguns anos e, apesar da falta mão de obra no mercado, a tecnologia vem sendo cada vez mais incorporada ao dia a dia de todo mundo, geeks ou não.

O humanismo digital veio para ficar.  Existiremos – em pouco tempo – em um não-lugar (Metaverso?), a partir dos gadgets e apps cada vez mais fascinantes que as mentes brilhantes da indústria nos trazem. Há muito trabalho, mas há também a tranquilidade de se saber necessário, importante e urgente para toda a sociedade.

A partir dessa sensação, perguntei a Tamara qual momento da travessia que realizou foi o mais difícil, no qual ela se sentiu mais vulnerável. A minha expectativa era que ela falasse de ondas gigantes ou das fortes correntes marinhas não previstas. Diferente disso, ela me respondeu que não temeu as intempéries. Claro, as respeitava, mas não se sentia ameaçada por elas. Para minha surpresa, ela me respondeu que se sentia vulnerável na calmaria, quando baixava a guarda e, provavelmente, negligenciava a checagem dos equipamentos, o colete, as velas. Segundo ela, é nesse momento que ela poderia se arriscar a esquecer de algo que poderia lhe custar a própria vida.

Paranoia? Talvez. A partir da conversa com Tamara, retornei ao Andrew Grove e seu incômodo livro “Só os paranoicos sobrevivem”, no qual ele conta como a Intel tornou-se a maior fabricante de chips do mundo. Assim como a jovem velejadora brasileira, Groove ensina a agir com muita atenção quando as coisas estão bem.

Blackberry, Nokia, Kodak são alguns dos exemplos sempre citados quando o assunto é a mudança abrupta dos ventos que podem levar ao fim de grandes campeões de mercado, empresas inspiradoras, que foram disruptivas até que foram rompidas pela inovação de terceiros de que nem imaginavam como competidores.

Grove diz que o sucesso gera complacência e a complacência gera fracasso. Ou seja, é no momento em que estamos celebrando a vitória, confortáveis em nossos lugares, que a maré ou os ventos podem mudar, sem mesmo percebermos.

Neste contexto, desenvolver a chamada ambidestria corporativa é fundamental. Trabalhar no hoje, concomitantemente pensando no amanhã. Destacar as melhores equipes para trabalhar em projetos que, no momento, podem até ser deficitários, mas que poderão vir a garantir o futuro da empresa em um período por vezes curto de tempo.

Celebrar é preciso, claro. Ficar atento também. Neste momento de calmaria no oceano da TI, o que podemos prever? O que poderia abalar estruturalmente nossos negócios? Como a tecnologia poderá ainda ser necessária quando ela não fizer mais parte do real anseio dos consumidores? Quando a tecnologia não estiver mais associada a busca da felicidade, como hoje? Quando poderá estar relegada a um segundo plano em nossas vidas, sendo apenas e tão somente… tecnologia?

A Tamara falou com um sorriso nos lábios o que Andrew Grove disse afiando as armas: precisamos nos reinventar quando estamos no sucesso. Desafiar os paradigmas de tudo aquilo que está bem. Criar novas barras de metas, rediscutir coisas que parecem que estão ganhas. Não estão, nunca está.

Então, no sucesso, curta, aproveite o horizonte e depois: volte ao trabalho!

Ricardo Neves é CEO da NTT Data no Brasil

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Gestão ESG de fornecedores como maneira de proteger reputação de marca

Você sabe de onde vem a banana que come no café da manhã? A calça que veste ou qualquer outro produto que está usando? Fosse nos anos 90, as pessoas considerariam este tipo de questionamento coisa de gente neurótica. Hoje, metade dos consumidores concorda em pagar mais caro por produtos sustentáveis e que, ao apontar o celular para um QR Code, apareça a alimentação do frango e em qual fazenda foi criado.

O comportamento do consumidor brasileiro mudou nos últimos anos, tornando-o mais sensível a questões socioambientais. O processo de compra virou um ato de ordem quase política. Cada vez menos gente aceita consumir produtos ou serviços relacionados com princípios antiéticos, ou que contrariem sua maneira de ver o mundo.

As empresas vão se adaptando a partir do aprendizado trazido por crises e conscientes de que, hoje, qualquer deslize pode causar um prejuízo, às vezes, incalculável para a reputação da marca que é, sem dúvida, um dos ativos mais valiosos. Ter o nome associado a uma ação ilegal ou antiética abala todo tipo de empresa, da padaria do bairro a multinacionais.

Imagine uma investigação da Delegacia do Trabalho em fábrica de tecidos encontrar pessoas trabalhando em regime análogo à escravidão. No momento de registrar a cena, são fotografadas sacolas de uma grande loja de departamento à qual esse fornecedor presta serviço. Em instantes, as imagens vão parar nas redes sociais e as consequências são desastrosas, inclusive com ameaças de boicotes à marca.

Qual o prejuízo financeiro de manter um fornecedor incorporado à cadeia por um processo mal analisado? Quem lembra do esquema ilícito para venda de carga de bebidas, revelado no ano passado? Neste episódio, uma fabricante conhecida mundialmente teve prejuízos em torno de R$20 milhões/mês por conta de um fornecedor que pertencia a uma organização criminosa.

No início de 2022, a maior empresa de operação de contêineres do mundo decidiu paralisar as atividades terrestres na América do Sul por tempo indeterminado. O motivo: a ação constante de criminosos que embarcavam toneladas de cocaína para enviar a países da Europa e da África em seus navios. Imagina uma empresa de transporte de cargas ser acusada de tráfico internacional?!

Nesse contexto, a escolha e gestão ESG (Environment, Social & Governance)  de fornecedores é uma tarefa estratégica. Além de influenciar na qualidade dos produtos ou serviços, impactando diretamente produção e vendas, uma escolha errada abala a credibilidade no mercado e a reputação da marca.

Será que organizações estão preparadas para mitigar os riscos de fornecedores a partir de um gerenciamento completo?

De acordo com pesquisa da McKinsey, mesmo com todo o esforço em criar, reformular e ampliar as ações de gerenciamento de riscos, apenas 21% das empresas visualizam o segundo nível da cadeia e 11% não têm qualquer noção sobre os fornecedores. O que isso representa? É a espada de Dâmocles pendurada sobre a “cabeça” das marcas.

Para que se faça um monitoramento efetivo, é essencial garantir que sua cadeia de fornecedores esteja alinhada a seus valores.

Não basta declarar publicamente intenções de transparência e ética. Discurso e prática devem andar juntos. Afinal, com as ferramentas digitais de opinião pública, o consumidor pesquisa a fundo e expõe incongruências eventuais para milhares de pessoas influenciadas por avaliações online.

Escolha os melhores fornecedores para seu negócio

A escolha e gestão de fornecedores, definitivamente, não deve ser um processo superficial. É preciso checar a credibilidade em cada elo da cadeia, assim como a de sócios e outras empresas vinculadas a estes sócios. É importante também verificar a capacidade de entrega, flexibilidade (e se ocorrer um imprevisto, como fica?) e preço.

Erros neste processo significam produtos ou serviços de baixa qualidade, itens não originais ou sem nota fiscal, atrasos no prazo de entrega ou falta de compliance com a legislação.

Nem sempre consolidar informações para determinar se um fornecedor é confiável e possui boa saúde financeira, reputação e referências positivas no mercado é uma tarefa simples.

O ideal para superar esse desafio é contar com uma plataforma que permita padronizar e automatizar o processo de gerenciamento de riscos de fornecimento.

Dispor de uma avaliação detalhada sobre os fornecedores de todos os níveis e com o respectivo potencial de atender às necessidades da empresa ajuda a mitigar riscos.

A homologação e a formalização de contratos deve ser feita para que todos estejam na mesma página e com expectativas alinhadas.

Com um consumidor mais exigente e mais antenado, cresce a relevância de uma marca se relacionar com fornecedores e parceiros de negócio idôneos e se comunicar de forma transparente com o mercado.

Até porque se é para ser fiel a uma marca e levantar bandeira, as pessoas querem ter certeza que, desde a origem da matéria-prima até o fim do ciclo de vida de um produto, a empresa conta com fornecedores conectados com sua cultura e investe em ferramentas que auxiliem a tornar a experiência delas cada vez melhor. Se por acaso descobrirem que o frango orgânico não tinha procedência adequada, essa marca as perdeu, provavelmente para sempre.

Bruno Beneduzzi é Diretor Comercial da CIAL Dun & Bradstreet do Brasil.

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CONARH 2022: A potência da gestão de pessoas e a criação de futuros

Após dois anos apresentado virtualmente, o CONARH, um dos maiores eventos de gestão de pessoas do mundo, retoma o fôlego e volta a ser realizado de forma presencial. Os corredores lotados do evento não negam: a área de recursos humanos mantém a força em sua 48° edição, mais uma vez realizada em São Paulo. São milhares de pessoas – gestores de RH, executivos, consultores e especialistas da área – em busca de novas soluções no setor.

Se o período pandêmico trouxe grandes desafios para a área, o tema escolhido para este ano reforça a necessidade de crescimento e expansão: Pessoas, Gestão e Negócios – É hora de acolher e ampliar os horizontes. Neste tripé de sustentação corporativa, são apresentadas, ao longo dos três dias de evento, as tendências mais quentes e que permeiam as mais de trinta palestras – simultâneas e magnas – realizadas em sua programação, sendo algumas oferecidas no formato digital e incluindo participações internacionais.

Os temas mais quentes apresentados no evento têm apontado para a criação de futuros: Metaverso como possibilidade de conexão social, ESG como caminho para regeneração, desenvolvimento de cenários econômicos globais e futuros, incluindo a necessidade urgente de empresas mais humanizadas, líderes mais preparados e educação como ferramenta de crescimento.

O palestrante, darwinista digital, futurista e consultor da HSM Carlos Piazza foi um dos pontos altos do primeiro dia do evento, ao lado da psicóloga e treinadora Daniela Pelosi França, com quem dividiu o palco. Ao abordar o tema Tecnologia e Pessoas, o público foi provocado ao ser questionado sobre o papel da área de recursos humanos diante dos avanços tecnológicos.

Piazza questiona a relação entre tecnologia e pessoas problematiza o conceito de recursos humanos, uma vez que desconsidera os humanos como recursos. Para ele, esse é um formato que não faz mais sentido atualmente, pois as empresas seguem um modelo de trabalho oriundo da segunda revolução industrial, quando, na verdade, já estamos na quinta revolução.

Para Daniela, as pessoas precisam encontrar seu espaço em um contexto em que vida e carreira caminham juntas, já que a pandemia revelou a integralidade do ser humano em suas múltiplas tarefas. Ao estreitar as relações humanas ao mundo high tech, os palestrantes reforçam que a tecnologia não é uma finalidade em si, mas um meio para melhorar a vida humana. Neste sentido, exploram o paradoxo do algoritmo versus androritmo, ou seja, a habilidade humana da cognição, criatividade, capacidade de imaginar o futuro e ter diversidade de pensamento, pois a inteligência do futuro também encontra espaço no caos e no conflito: pessoas diferentes vêm de contextos diferentes e possuem bagagens culturais diferentes. Portanto, enxergam o mundo de formas diferentes. Nesta visão de trabalho, é preciso exercitar a inteligência do paradoxo, pois o futuro é cocriado por pessoas diferentes.

Para explicar esta visão de futuro, Piazza recorre ao deus Caos, da mitologia grega; para ele, é preciso viver na paz do caos e estar preparado para viver em um mundo caórdico. O caos não é uma possibilidade, mas sim uma realidade. Ao olhar para a gestão de pessoas, entende que não há mais espaço para a liderança baseada em comando e controle. Por isso, provoca os gestores de RH ao lembrar que as empresas deveriam desenvolver as capacidades humanas de criatividade, empatia e cognição, pois entende que muitos líderes ainda mantém uma rotina de trabalho baseada na execução, quando, na verdade, essa deveria ser uma tarefa das máquinas e não das pessoas. “É preciso preservar nas mãos das pessoas tudo aquilo que é das pessoas, e deixar as máquinas executarem o que é das máquinas”.

De fato, é hora de acolher e ampliar os horizontes, a gestão de pessoas precisa desenvolver a capacidade de criar os melhores futuros. Na esteira incansável do desenvolvimento humano nas organizações, é preciso escolher o que fica para trás e, acima de tudo, estar pronto para nunca estar pronto.

Marcelo Mantovani, especialista em Educação na HSM

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Como melhorar a produtividade do time?

Você também já teve a sensação de ter realizado dezenas de atividades, mas ao final do dia não ter tido produtividade?  Sabe por quê isso acontece? Acompanhe;

A produtividade de uma equipe não tem a ver com fazer todo mundo trabalhar excessivamente (um formato que diversas organizações insistem em manter) e sim com “extrair o máximo possível com o que se tem”. Profissionais mais apaixonados, felizes e engajados são mais inovadores, geram melhores resultados e consequentemente são mais produtivos.

E como fazer isso fluir na sua equipe?

Simples! Sendo um líder sociável, mas ao mesmo tempo consciente e com senso de responsabilidade.

Pesquisas realizadas pela Bond University afirmam que a taxa de “líderes” desequilibrados, sociopatas e antissociais que ainda estão atuando no mercado de trabalho, chega a quase 21%. Isso significa que, por mais que estejamos experimentando “uma transição agressiva” em nossas crenças, hábitos e estruturas organizacionais, ainda existem muitos “líderes”  que já deveriam ter aprendido a lição ou terem sido aposentados, pois o mercado atual e as novas gerações não os aceitam mais como pessoas a serem seguidas e admiradas.

Líderes intratáveis, antipáticos, ranzinzas, machistas, autoritários, que a equipe tem medo de fazer uma pergunta ou solicitar algo, não podem mais fazer parte de nossas organizações.

Infelizmente, estamos cheios de líderes que mais atrapalham do que ajudam, que não “passam a visão” e nem “dão a atenção” que o time necessita. Estão por todos os lados resmungando: “antigamente não era assim”, ou “não existem mais equipes como antigamente”, “agora virou moda direitos humanos, em minha época…” Blá! Blá! Blá!

Aquele “lenga-lenga” de líder cringe que não acrescenta em mais nada e justifica a sua falta de produtividade com comparações, lamentações e saudosismos.

A resposta para gerar a eficiência no time está em “inovarmos, resgatarmos ou gerarmos” a humanidade dos líderes. Está em desenvolvermos líderes que demonstram atenção, cuidado e preocupação com os colaboradores, além de apoio, direcionamento e INOVAÇÃO.

Eiii… O formato de antigamente já era! Deu!

A resposta para a efetividade na liderança, sempre começa e termina em nos capacitarmos para sermos “líderes que gostam de pessoas”, mesmo mantendo o espírito corporativo, as cobranças de metas e é claro os resultados.

Para termos uma ideia, o grande investidor brasileiro, acionista controlador do Grupo Porto Seguro, Jayme Garfinkel, após analisar a cultura de liderança que temos mantido nas últimas décadas, chegou a comparar o formato de gestão com o Holocausto. Para ele, chegaremos no futuro e olharemos para trás nos questionando: “como ninguém fez nada para mudar a condição de trabalho nas empresas, organizações e corporações?”

Segundo Garfinkel, o modelo de liderança das últimas décadas ainda se assemelha muito a uma rotina dos presídios. Ual! É isso mesmo… Temos muito ainda que evoluir e tudo começa na conscientização que empresas e líderes precisam ter.

Meu propósito com este texto é sensibilizar você: líder, empresário executivo, gestor, profissional e qualquer pessoa que lidera alguém ou algo, a entender que temos nas mãos a chave para o problema que “encarcera o time“, faz dele reféns e improdutivos.

É socialmente fundamental recuperar os profissionais presos em padrões de liderança que os impedem de se desenvolverem, atuarem em funções compatíveis com os seus perfis, de brilharem por suas habilidades e serem reconhecidos pelos seus resultados. A produtividade tem tudo a ver com isso!

Não podemos ser líderes que oprimem a equipe, que faltam com educação e respeito e que não promovem um ambiente onde o time se sinta realmente engajado com a causa. Precisamos de novos líderes, com novos olhares e novas palavras.

#POR ONDE COMEÇAR A HUMANIZAÇÃO

Promova a verdade da sua equipe – Meus anos de experiências, mostraram que a grande maioria dos líderes buscam imprimir no time a sua própria verdade, o seu próprio jeito de pensar, sentir e se comportar. A gestão humanizada tem uma visão diferente, ela desperta no colaborador a sua verdade singular. Trata-se de encorajar o time a expressar o que pensa sem ser retalhado, se desenvolver em suas habilidades naturais, expor os seus valores, crenças e padrões mentais sem excluí-lo.

Permita que a equipe brilhe – É curioso como tem aumentado a vaidade entre a liderança. Até parece que o mundo deve “orbitar em volta de seus ventres”.

Tudo bem! Sabemos que estamos em uma geração pós-ditadura (baby boomers e geração X), que odeia “ouvir não” e por isso, segundo os especialistas, têm fortes tendências à frustração. No entanto, precisamos ser líderes que deixam o ego de lado e são capazes de “sair de cena” para o outro brilhar. Será que estamos preparados para isso? É justamente por não ter certeza de que a liderança atual está pronta para treinar, capacitar e desenvolver líderes tão bons quanto a si próprios, que me questiono: “será que este gestor de fato é um líder?”

Recado para você: Pare imediatamente de “ofuscar ou apagar” o brilho de seus colaboradores, nem tudo é mérito apenas da liderança. Existem talentos que fazem a roda girar e você não tem nada a ver com isso. Ótimo! Afinal a missão é essa: desenvolver sucessores melhores que nós.

Valorize os pequenos resultados – Apesar de a nossa carreira visar o destino final, precisamos aprender a desfrutar do percurso. Cada resultado obtido de maneira criativa, inovadora e inteligente deve ser aplaudido. Que tal começar a praticar isso com seu time? Cada conquista deve ser motivo de gratidão, reconhecimento e elogios.

Por fim, mas não menos importante, não se esqueça de que a liderança deve ser exercida com base na paixão. Lembre-se que a sua equipe é um grupo de indivíduos que têm uma “vida singular” repleta de sonhos, desejos, valores, sentimentos, propósitos, emoções, expectativas, defeitos e qualidades. Eles nasceram para evoluir, se desenvolver e servir, assim como você.

Abandone o ego, a ideia de que quem manda é você, e comece a atuar com mais  empatia e genuína preocupação com o time ou então procure outra área de atuação, porque liderar é amar e desenvolver pessoas.

Marcelo Simonato é escritor, palestrante e especialista em Liderança

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A transição de carreira vista por um filósofo francês do século XVII

François de la Rochefoucauld foi um filósofo francês que viveu no século XVII. Ele, como muitos outros de sua época, foi um humanista e, com o olhar aguçado e quase cirúrgico buscou entender a alma humana “para além do bem e do mal” e do “politicamente correto”. Uma de suas obras mais famosas são as “reflexões ou sentenças e máximas morais”

Neste ensaio gostaria de pensar o processo de transição de carreira a partir de uma destas máximas. Não que La Rochefoucald fosse um CEO ou um badalado guru californiano. Longe disso, mas ele pode nos ajudar e muito a entender determinados processos, que em síntese, continuam sendo humanos, e como dizia um outro filósofo, anterior a ele: “Tudo aquilo que é humano me interessa” (Terêncio.)

Vamos então à máxima do filósofo francês: “chegamos totalmente novos às diversas idades da vida, e em geral nos falta experiência apesar do número de anos” (Máxima 405).

Quem já viveu um processo de começar uma nova carreira, ou iniciar um trabalho em um nova empresa ou posição sabe bem o que significa a frase de La Rochefoucauld. Por mais experiência, idade e know how que possuamos sempre estamos iniciando algo. Existe até um gráfico que nos ajuda a entender este processo.

Imaginem vocês a seguinte combinação: Você no primeiro dia no novo trabalho, posição ou atividade. Muito provavelmente você se sentirá meio perdido e inseguro quanto aos procedimentos, rotinas, ritos e fatores culturais do novo ambiente de trabalho, não é? Este é o período da dependência completa, no qual, para coisas simples, como descobrir onde fica o café ou o banheiro você precisará de ajuda. Essa é uma fase de empolgação, por um lado, e insegurança, por outro.

A segunda fase se dá quando você começa a entender as rotinas e os hábitos do novo ambiente/posição de trabalho e começa a fazer os seus processos de maneira mais fluída e, paulatinamente, automatizar as suas rotinas de tal forma que consiga se mover melhor dentro de todos os desafios que o cotidiano lhe oferece. Essa é uma fase de acomodação na qual você se torna parcialmente dependente.

A terceira fase, por sua vez, é marcada pelo concernimento, isto é, pela capacidade de, entendendo o ambiente no qual você está você ser capaz de se mover sem tanta fricção e aprender a lidar e jogar com o contexto em prol da resolução de um problema.

Por fim, a quarta fase, se dá quando, já habituado com as rotinas e os processos da nova ocupação ou posição, você consegue automatizar e se mover mais livremente pelo seu trabalho. Esta é, por um lado, uma fase na qual você se sentirá bastante seguro e acomodado, mas por outro lado, que pode fazer de você refém dos próprios vieses, principalmente o viés de experiência.

Frente a isso, algumas conclusões são possíveis. A 1ª é que toda nova posição ou mudança abrupta de carreira gera insegurança e exige maior atenção para adaptação. Por isso, é normal se sentir inseguro, cansado, e em algumas vezes, assolado pela síndrome do impostor. A 2ª é que o processo de amadurecimento na gestão não é etário e que ele está muito mais relacionado à disponibilidade para se adequar ao novo contexto do que, por exemplo, ao acumulo de linhas no currículo.

Desta forma, a frase de La Rochefoucauld não só parece ser verdadeira, mas bastante útil no contexto laboral. Portanto, se você estiver iniciando um novo trabalho ou uma nova função ou pensando nisso considere fazer este processo ao invés de já querer chegar “dando resultados”. Pense nisso!

Escrito por, Gillianno Mazzetto, PhD. Co-founder Eipsi.

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Carta aos Profissionais de 2027

Caro profissional do futuro, em 2027

Inspirado pela leitura do estudo realizado na América Latina pela NTT DATA, recentemente publicado, sobre o que pensam os profissionais de hoje sobre seu futuro em cinco anos, escrevo essa carta para compartilhar algumas das minhas reflexões a respeito do tema. Espero que possam ajudar você a buscar caminhos possíveis para lidar com algumas das preocupações levantadas na pesquisa.

Antes de mais nada, o receio do futuro, do que é incerto, é inerente ao ser humano. Podemos, a partir da consciência, observar a realidade e buscar aplacar tais angústias originadas, eventualmente, dessa sensação do desconhecido.

Mesmo em alguns mercados como o de TI, no qual há crescimento de dois dígitos há anos e existe falta de profissionais qualificados [ tema que já abordei aqui algumas vezes ], as pessoas mostram-se receosas com os próximos anos profissionais. Parece uma contradição? Vou buscar explicar por quê.

De acordo com o estudo, 41% dos entrevistados têm preocupação com a possibilidade de máquinas substituírem o humano, 47% sentem medo de não conseguir seguir atualizado para o mercado e outros 47% sentem medo de não ter mais lugar no mercado de trabalho daqui a cinco anos. Ou seja, quase a metade dos entrevistados sentem medo deste futuro próximo.

Tais dados me colocaram para pensar, tendo em vista que os entrevistados foram profissionais de grandes e sólidas empresas de mercados prósperos e que, portanto, deveriam ser ambientes seguros para quem o faz prosperar.

Dediquei tempo a ler e compreender o estudo, que entrevistou 34 executivos de recursos humanos de várias empresas e ainda realizou uma pesquisa quantitativa com 3.250 profissionais de diversos segmentos, incluindo o de TI.

Essa mensagem é para aqueles que, na paralela de um dia a dia de trabalho puxado, chegam em casa preocupados com seu futuro profissional e se pegam imaginando quais estratégias e ações deveriam adotar para aumentar as probabilidades de continuarem a se desenvolver profissionalmente.

Dado todo esse contexto, aqui vão algumas de minhas sugestões, baseadas nas experiências de carreira e reflexões que fiz.

1 – Apostem nas soft skills. Elas aguçam seu senso crítico e assim serão sempre um bom antídoto contra tecnologias de simples “eficiência operacional” que são geradas todos os dias. Nem o maior dos estudiosos pode dar conta de se manter atualizado no atual ritmo de produção (e obsolescência) de toda inovação tecnológica que somos capazes de gerar. Como sociedade, criaremos inovações que serão realmente eficientes se atenderem aos desejos e necessidades humanos, mesmo que esses estejam em constante transformação. Esses soft skills realmente serão chave para que se possa trabalhar com essas transformações.

2 – Investiguem suas paixões. O que faz você perder a noção do tempo? Talvez, em vez de se preocupar com o que o mercado vai desejar de você daqui a cinco anos, dedique-se a pensar o que você vai desejar do mercado nesse mesmo período. Por exemplo, a tecnologia é o ambiente perfeito para realizarmos nossas paixões em distintas áreas de atuação. Por que não explorar um pouco algumas delas para ver se encontra “um amor à primeira vista”?! Dizem que 65% das profissões do futuro ainda nem existem hoje, portanto, quem sabe você não encontra algo que, como um amor, pode mudar completamente a sua vida?!

3 – Prestem atenção às mudanças [ às vezes sutis ] de comportamento do mundo. Estejam atentos e mudem com o mundo. Gosto de pensar que somos também feitos de aplicativos que precisam estar com a última versão instalada para que o sistema operacional funcione bem. Uma observação empática do outro será fundamental para o mundo que precisaremos construir e no qual haverá trabalho a ser feito.

4 – Trabalhem voluntariamente. O trabalho voluntário nos abre para o novo, novas experiências, perspectivas, realidades. Nos ensina que é preciso aprender a se adaptar, resistir, transformar e isso tem tudo a ver com a vida em ciclos que a longevidade nos fará viver. Além disso, garanto a você que, na grande maioria das vezes, você recebe muito mais do que doa no voluntariado.

5 – Desapeguem-se do que já se sabe. Busque o novo, o que você desconhece, aprenda a aprender em novos paradigmas. A vida muda o tempo todo e as soluções precisam ser atualizadas. Aprenda com espírito crítico, diferencie o que é [ ou não ] verdade e quais são as fontes confiáveis a quem entregar as previsões de seu futuro profissional. Aprender a continuar aprendendo é fundamental hoje.

6 – Desenvolva-se. O mundo é muito maior que nosso próprio umbigo. Se você sabe que precisa se desenvolver em algo, dedique seu melhor tempo a isso. Pode ser sobre uma atividade técnica, mas pode também ser sobre um comportamento. Busque por meio de atividades terapêuticas se conhecer, refletir sobre quem é você no mundo. Busque ser sua melhor versão.

O futuro do trabalho é o futuro da humanidade. Então o humano por trás dos possíveis crachás é quem deve ser o protagonista dos questionamentos sobre o que está por vir. O conhecimento técnico sempre se revelará a quem sabe o que fazer com as ferramentas que conseguirmos criar.

Bom, espero que tenha ajudado você a buscar novas perspectivas e assim estar mais tranquilo quanto ao seu futuro!

Um grande abraço,

Ricardo Neves é CEO da NTT Data no Brasil, consultoria global de negócios e TI do Grupo NTT

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Saúde mental: O que você tem a ver com isso?

São pouco divulgados os dados que mostram que o Brasil ocupa o 2º lugar no ranking de trabalhadores com burnout no mundo, dados da International Stress Management Association no Brasil – ISMA-BR.

Será que de alguma forma essa responsabilidade também é sua?

É comum nos incomodarmos e julgarmos os ambientes quando alguma situação vem a público, mas, muitas vezes, não participamos ativamente de um movimento de transformação dessa cultura de trabalho insalubre. Seja por medo de enfrentar o sistema, descrença de que a mudança seja, de fato, possível ou comodismo mesmo, porque mudar é um verbo de ação.

A questão fundamental é que, se estamos nesse lugar de privilégio, como empreendedores e líderes de setor, é responsabilidade nossa falar sobre saúde mental. Não é de um dia para o outro que se cria uma mudança estrutural como essa. Se nós, empresas, não trabalharmos pesado para isso hoje, amanhã pode ser tarde demais. A sociedade não tem tempo e as novas gerações carecem da paciência que as anteriores tiveram.

Em ecossistemas às vezes tão restritos e limitados, como podemos encontrar esse espaço disruptivo?

Toda transformação começa pela identificação de um problema. Logo, as empresas precisam reconhecer o problema que está posto, que esse fantasma ronda seus corredores, suas salas de reunião e provavelmente o home office de cada um. A partir desse movimento, abre-se espaço para conversa, para o letramento e para a conscientização. Algumas empresas já estão à frente nessa jornada; outras, nem começaram ainda, ou infelizmente tratam do assunto apenas com os cargos de liderança. Precisamos saber em qual parte da jornada nós estamos como empresa.

  • Onde precisamos chegar para que o tema saúde mental não seja tabu em nosso espaço ?
  • As lideranças estão aptas a criar um ambiente que possibilite que os funcionários falem abertamente? Que busquem um lugar de acolhimento?
  • Um colaborador com distúrbios psicológicos não é , ou será tratado com preconceito?

Os benefícios desse movimento são inúmeros: o aumento nos níveis de felicidade, a diminuição de transtornos psicológicos, a melhora da saúde geral dos trabalhadores e aprofundamento das relações interpessoais.

Se essas vantagens não forem suficientes para uma mudança, podemos olhar pelo viés capitalista.

  • Times mais produtivos e engajados

31% é quanto um profissional feliz no trabalho é mais produtivo.

Fonte: Universidade da Califórnia.

  • Menos gastos com ausência do funcionário, logo, maior receita

US$ 6 trilhões será o custo anual até 2030 decorrente de transtornos mentais. Fonte: The Lancet – Estudo da Universidade de Bath

  • Retenção de talentos

75% da geração Z e 50% da geração Y já deixaram cargos de forma voluntária por conta de problemas psicológicos.

Fonte: Mind Share Partners, SAP e Qualtric

Respondendo a pergunta que propus inicialmente: A responsabilidade é sua, minha e de todos nós. Pois, além de estrutural, o sistema de trabalho tóxico é cultural, já que também está entranhado nas nossas formas de agir e reagir perante às situações. Se por um lado as empresas devem criar mecanismos para lidar com essas situações, cabe a nós encabeçar esse movimento.

Só incômodo não basta. Precisamos ser agentes transformadores ativos do mercado que queremos. Seja pelo amor. Seja pela dor.

Pâmela González

Product Owner

TSER Corp by Powered B2mamy e Rafa Brites

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6 motivos para acreditar no 5G

O uso do 5G dependerá, claro, do aumento da velocidade e da consistência da tecnologia, bem como das reduções de latência que ela oferece. Mas já podemos dizer que ele vai transformar diversos (senão todos) setores da economia. Estamos falando de uma infinidade de opções nas quais o 5G pode se infiltrar nos próximos meses, anos e décadas.

Teremos veículos autônomos, cidades inteligentes, fábricas automatizadas e uma nova onda de comunicações empresariais, sem falar no que a tecnologia pode fazer pelo entretenimento, turismo, medicina etc. De acordo com recente estudo da Accenture, 79% das empresas em todo o mundo acreditam que o 5G terá um impacto significativo em sua organização. E 57% acreditam que será “apenas” revolucionário.

A seguir, listei 6 exemplos de como essa revolução já está a caminho.

Cidades inteligentes

As operadoras de internet já estão procurando mostrar o que pode ser alcançado com a tecnologia 5G. Um ótimo exemplo é o que está acontecendo na Alba Iulia Smart City, na Romênia, sede de um projeto que conta com monitoramento de congestionamentos, sensores de estacionamento e gerenciamento inteligente de resíduos, tudo administrado por redes 5G.

Fábricas inteligentes também estão na mira da tecnologia, o que significa que veremos mais robôs nas linhas de produção e drones de entrega de produtos na chamada “última milha”. O 5G também permitirá a comunicação em tempo real entre veículos, capaz de evitar ações perigosas e acidentes – além de ser a base da tecnologia dos carros autônomos.

Bots de serviço

No Mobile World Congress (MWC) de 2021, que aconteceu em Xangai, empresas especializadas em tecnologia robótica lançaram robôs de serviço que incluem a tecnologia 5G com altíssimo nível de processamento de Inteligência Artificial.

Graças a isso, os visitantes puderam interagir com um robozinho que servia café em alguns estandes. Segundo a fabricante do produto, esse bot 5G é capaz de preparar até mil xícaras de café todos os dias. Do outro lado da feira, um equipamento chamado 5G HomeBot conversava com os visitantes e dava dicas de passeios pela exposição, baseadas nas respostas das pessoas.

Comunicações

Embora a primeira onda de chamadas de vídeo em 5G tenha sido realizada via smartphones (por isso, a maioria dos telefones 5G tem câmeras frontais com maior resolução), no longo prazo, espera-se que fluxos de vídeo full HD, 4K e até 8K, sejam trocados entre realidade aumentada habilitada para 5G (AR) e óculos de realidade virtual (VR). Com a capacidade do 5G de transmitir grandes pacotes de dados em tempo real, as videochamadas devem se tornar ambientes 360°.

E uma vez que as chamadas de vídeo em 5G tenham se transformado em realidade, outro salto gigantesco se torna possível: as chamadas telefônicas holográficas 3D ao vivo. No ano passado, uma rede europeia de 5G usou a tecnologia para transmitir hologramas de músicos em diferentes locais para um palco virtual no qual se apresentaram “juntos”.

As chamadas holográficas em 3D exigem cerca de quatro vezes mais dados do que um vídeo em 4K. Dentro de pouco tempo, poderemos ver essa tecnologia sendo aplicada em diversas situações, como a telemedicina, as videoconferências e, como não poderia deixar de ser, nos jogos online.

Fábricas inteligentes

Pense em linhas de montagem de alta precisão, nas quais máquinas e robôs estão perfeitamente sincronizados em tempo real. Agora, imagine a adoção em massa da Internet das Coisas (IoT) e até mesmo humanos controlando máquinas de forma virtual. É o nascimento das fábricas inteligentes. Também conhecida como Indústria 4.0, trata-se de abandonar os antigos sistemas conectados e substituí-los pela automação em ambientes fechados.

Com a Internet das Coisas (IoT) em plena implantação e sensores conectados em todas as máquinas, a velocidade da tecnologia 5G será capaz de prever problemas, vê-los surgirem em tempo real e reduzir o tempo de inatividade da produção. O ingrediente secreto será um software de análise com capacidade de IA capaz de processar dados em todas as máquinas e equipamentos ao mesmo tempo.

Assistência médica

O setor de saúde oferecerá diagnóstico e operações remotas, bem como e-health e wearables responsivos – e assistentes digitais baseados em IA poderão ajudar pessoas com deficiência. Diversas empresas já estão analisando como o 5G pode melhorar a oferta de procedimentos.

Um bom exemplo está em operação na Espanha, na cidade de Málaga, em que o 5G é a base de um sistema de assistência à cirurgia. O case foi demonstrado na IV Conferência de Endoscopia Digestiva Avançada.

Outro uso da tecnologia 5G está em operação na Coreia do Sul, a bordo de “ambulâncias inteligentes”. A empresa responsável pelo projeto está testando o sistema em seis ambulâncias, que permitirão novos serviços, como tecnologia de vídeo em tempo real e scanners de alta qualidade.

Preservação de energia

Uma característica inerente à tecnologia 5G é seu enorme potencial para economizar energia (tenha ela a matriz que tiver) – o que, por si só, talvez já valesse o investimento. Isso porque será possível conectar todos os dispositivos em tempo real, o que significará um gerenciamento mais preciso do sistema como um todo e menor consumo.

Onde houver interrupções de energia, a tecnologia 5G poderá ajudar no diagnóstico precoce, acelerando os reparos e reduzindo o tempo de inatividade. Outro exemplo? A iluminação pública inteligente perceberá a ausência de pessoas na área e esmaecerá a luminosidade, economizando energia.

Recentemente, a McKinsey dedicou um extenso relatório a entender como as cidades poderiam reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 15% apenas com a adição de sistemas 5G.

É um mundo novo que começa a surgir no horizonte. E, com ele, a necessidade de adaptação da sociedade para enfrentar uma série de desafios. Em tempos de pandemia, conseguir vislumbrar um futuro melhor é animador.

Haroldo Vieira é Head de Novos Negócios do PayPal Brasil.